A capa de meu novo livro que será lançado na Feira de Nova Iorque (Book Expo America) em junho de 2012
Visitando o Egito
Viajando para cozinhar
Patrimônio da UnB
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A força da palavra e do cinema
Opinião - mulher & ciência
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Por que não funciona? Os descaminhos da educação brasileira
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04/05/12 - Sexta-feira
Meus livros
A capa de meu novo livro que será lançado na Feira de Nova Iorque (Book Expo America) em junho de 2012

Crime in the heart of Brazil

Postado por Marcos Linhares em 04/05/12 às 21:16.
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22/04/12 - Domingo
Turismo
Visitando o Egito

Publicado na revista Época - 26 de outubro de 2009

Os segredos dos faraós

É possível explorar a mística do Egito longe da multidão de turistas

As portas do Museu Egípcio, no Cairo, abrem-se às 9 horas da manhã. Enquanto os visitantes comuns

esperam diante de Turuma imponente fachada neoclássica, um grupo de privilegiados aproveita o interior sem pressa - e com informações aprofundadas. Alguns são historiadores. Outros, turistas que se cansaram dos roteiros tradicionais, apinhados de gente. Eles sabem que a mística do Egito não está no turismo de massa.

Encarar uma múmia com mais de 3 mil anos é uma experiência única. E melhor ainda se você não estiver sendo perturbado por uma horda barulhenta. A agência Abercrombie & Kent oferece essa possibilidade: acesso exclusivo a algumas das maiores relíquias do Egito, caso da tumba intacta do faraó Tutancâmon, que reinou de 1333 a 1323 a.C.

Seja qual for o roteiro, o ponto de partida é o mesmo: as Pirâmides de Gizé, a Esfinge e o Templo de Ramsés II. Óbvio demais? O passeio continua com uma visita exclusiva à tumba da rainha Nefertari, a maior do Vale das Rainhas. O público geral normalmente não tem acesso ao local. As paredes dessa tumba têm hieroglifos com instruções para alcançar a vida após a morte. Para aprender mais sobre a fascinante religião do Egito Antigo, o turista também viaja para Abydos, antigo centro de uma cidade dedicada a Osiris, o deus egípcio da morte. Sinagogas históricas e antigas criptas do tempo dos romanos também fazem parte do roteiro, sempre com um egiptólogo à disposição. A imersão no mundo egípcio fica completa com um passeio pelo Rio Nilo numa felucca, antiga embarcação a vela, e um jantar na casa de uma família local. É outro Egito.

 

SERVIÇO
Quem leva 
Abercrombie & Kent 
abercrombiekent.com


Quanto custa 
A partir de US$ 8.500, para o pacote de 14 dias 


O que inclui 
Passagens aéreas, hospedagem, cruzeiro pelo Rio Nilo e passeios

Postado por Marcos Linhares em 22/04/12 às 18:38.
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22/04/12 - Domingo
Gastronomia e tursimo
Viajando para cozinhar

Revista Época - 26 de outubro de 2009

Com a barriga no fogão

Uma viagem pode se tornar inesquecível pela comida - que o próprio turista preparou

Laura Lopes

 Divulgação
OLHO NA PANELA
Hóspedes da pousada Los Dos, no México, aprendem a cozinhar com o chef David Sterling. O pacote inclui compras no mercado local

Aonde quer que vá em suas andanças pelo mundo, a estilista Andrea Schostack faz questão de passar pelo mercado local. "É a primeira coisa que quero visitar", diz Andrea, que coleciona cadernos de receitas e cardápios dos lugares que visitou. Em Mérida, no México, ela foi ao mercado na companhia do chef e antropólogo David Sterling e de um grupo de cinco pessoas. As histórias que Sterling contou sobre os alimentos e as receitas locais levaram a uma imersão na cultura da península de Yucatán. Depois de ir ao mercado, Andrea e seus colegas de curso foram para a cozinha da pousada Los Dos. Ali, seguindo as dicas do chef Sterling, prepararam e comeram sete pratos, entre eles um peixe embrulhado na folha de bananeira. Em outra viagem, 20 dias por Tailândia, Laos e Vietnã, em 2007, Andrea teve aulas de culinária em dois hotéis: o Banyan Tree e o Four Seasons.

O empresário Eduardo Luís da Luz e a mulher, Débora, passaram cinco horas na companhia da chef Lella em uma das cozinhas de sua escola, em Siena, na Itália. Aprenderam a fazer os famosos cantuccini, biscoitos crocantes com amêndoas que Luz diz ter reproduzido depois em casa, em São Paulo. Eduardo e Débora também participaram de uma aula no hotel L'Andana, do estrelado chef francês Alain Ducasse, na cidade italiana de Castiglione della Pescaia. A aula não foi dada pelo mítico Ducasse, um dos chefs mais estrelados do mundo, mas sim por uma pupila. Os ingredientes usados eram cultivados no próprio hotel. E foi servido vinho à vontade aos alunos. "Eu recomendo", diz Eduardo Luz. "Além da comida e das aulas, a vista ajuda bastante."

Andrea e o casal Luz são exemplos de gente que viaja milhares de quilômetros pela experiência de algumas horas em frente ao fogão. "Tenho um cliente que deu uma aula de presente de aniversário ao pai, que estava em Paris a trabalho", diz Daniela Hispagnol, da Gouté, empresa especializada em turismo gastronômico. Seja na mais refinada escola de gastronomia, seja com um professor informal, aprender a história de pratos e bebidas é conhecer o passado dos povos, conquistas, guerras e até a geografia da região. A viagem não precisa ser temática, mas pode-se aproveitar um ou dois dias para aprender a preparar delícias regionais - além de comê-las. As aulas podem ser agendadas diretamente pelo aluno ou incluídas em um roteiro por um agente de viagens. Nesse caso, paga-se a mais pelo serviço. Há cursos e escolas para todos os gostos e bolsos (a partir de US$ 100), dos simples aos refinados, em cidades grandes ou pequenas, de alta ou "baixa" gastronomia. Os alunos ganham avental, apostila e saboreiam os pratos preparados em aula.

 

SERVIÇO

Quem leva 
Gouté: goute.com.br
Tereza Ferrari: terezaferrariviagens.com.br 

Quanto custa 
Curso no Thai Cooking School, em Bangcoc, Tailândia: US$ 1.980. Aula na Toscana, Itália (almoço ou jantar), com duas entradas, dois pratos, sobremesa e vinho: a € 150. Aula, das 9 às 17 horas, na École Alain Ducasse, em Paris: a € 380

Postado por Marcos Linhares em 22/04/12 às 18:23.
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22/04/12 - Domingo
Educação
Patrimônio da UnB

 

UNB 50 ANOS »Patrimônio bilionário

A universidade brasiliense é dona de 1.747 imóveis em terrenos valorizados da capital federal, estimados em mais de R$ 1,5 bilhão. Apesar do privilégio, há críticas na gestão dos bens

Correioweb

Publicação: 20/04/2012 04:00

Projeções da universidade para edifícios residenciais na 214 e na 207 Norte: terrenos com, em média, mil metros quadrados e, alguns, mais valorizados do que os futuros conjuntos habitacionais do Setor Noroeste (Daniel Ferreira/CB/D.A Press) Projeções da universidade para edifícios residenciais na 214 e na 207 Norte: terrenos com, em média, mil metros quadrados e, alguns, mais valorizados do que os futuros conjuntos habitacionais do Setor Noroeste

 

O prestígio e a importância da Universidade de Brasília (UnB) vão além do campo acadêmico e da disseminação de conhecimento. A instituição também tem uma influência forte no mercado imobiliário do Distrito Federal. Com um patrimônio que inclui 1.747 imóveis, a maioria localizada no Plano Piloto, a UnB é hoje uma das maiores proprietárias individuais de lotes, apartamentos residenciais e lojas da cidade. A UnB não tem estimativa do valor de mercado dessa riqueza, e especialistas apresentam dificuldades para avaliar com precisão o montante total do patrimônio. Mas soma, no mínimo, R$ 1,5 bilhão. Aos 50 anos, a instituição se depara com o desafio de rediscutir a gestão desse inventário.
A manutenção desses bens também é, muitas vezes, alvo de críticas. Especialistas questionam por que a instituição guarda tanta riqueza em imóveis se esbarra em problemas como falhas na infraestrutura e falta de material básico para a graduação e pesquisas. A reitoria se defende e diz que os rendimentos do patrimônio imobiliário da UnB são indispensáveis para o financiamento das atividades e não pode se desfazer de seus terrenos e seus apartamentos porque são a garantia de um futuro sustentável para a universidade.
Quando a lei que criou a UnB foi assinada pelo então presidente do Brasil, João Goulart, em 1961, ficou estipulado que a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) doaria 12 superquadras inteiras para a UnB, todas na Asa Norte. Na época, o crescimento da cidade se concentrava na região da Asa Sul e o outro extremo do mapa ainda era um bairro deserto e desvalorizado. Com o passar dos anos, os imóveis se valorizaram, e a reitoria vendeu alguns lotes. Na maioria das vezes, a UnB negociou com as construtoras para trocar projeções por apartamentos construídos. Hoje, eles são alugados ou funcionam como residência funcional para professores e servidores.
Entre as áreas de propriedade da universidade construídas na última década estão as superquadras 212, 213 e 214 Norte - alguns dos endereços mais nobres e valorizados do Plano Piloto, por conta da proximidade com o Parque Olhos d'Água e por causa do alto padrão das edificações. Há dois anos, no entanto, a UnB não vende nenhum imóvel do seu patrimônio. Para alienar algum bem, é preciso aprovar a proposta no Conselho Universitário (Consuni), o órgão máximo de deliberações da instituição.

As empresas têm muito interesse no nosso patrimônio, mas os imóveis da UnB são uma garantia de recursos para a universidade no futuro%u201D</p>
<p>Gercino Duarte Silva,</p>
<p>secretário de Gestão Patrimonial (Ricardo Marques/Esp. CB/D.A Press) As empresas têm muito interesse no nosso patrimônio, mas os imóveis da UnB são uma garantia de recursos para a universidade no futuro%u201D Gercino Duarte Silva, secretário de Gestão Patrimonial

"Não estão à venda O secretário de Gestão Patrimonial, Gercino Duarte Silva, explica que as propostas de venda só recebem o aval quando há uma necessidade urgente de construir um prédio, por exemplo, e a instituição não dispõe de outros recursos. "É preciso comprovar que é uma medida imprescindível ou, então, que o negócio será muito lucrativo para a universidade. Tudo tem que passar pelo crivo do Consuni e também pelos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, já que estamos tratando do erário", justifica Gercino.
O responsável pela administração do patrimônio da UnB conta que recebe com muita frequência representantes de pequenas e grandes construtoras, interessados em fazer negócios com os terrenos vazios da instituição. "Coloca aí no jornal que os nossos lotes não estão à venda", brinca Gercino. "Só assim para reduzir um pouco a pressão. As empresas têm muito interesse no nosso patrimônio, mas os imóveis da UnB são uma garantia de recursos para a universidade no futuro", explica o secretário de Gestão Patrimonial.
Um dos trunfos entre os bens da instituição é o conjunto de projeções para edifícios residenciais. No total, são 26 lotes, todos na Asa Norte. Eles têm, em média, mil metros quadrados cada um. Para se ter uma ideia do preço que essas áreas podem alcançar, basta ver os valores das projeções vendidas no Setor Noroeste, há quase dois anos. Nas últimas licitações, esses lotes alcançaram  R$ 15 milhões. Como a Asa Norte já tem infraestrutura consolidada e dois anos se passaram desde esses negócios, o  valor facilmente alcançaria R$ 18 milhões, segundo especialistas. Dessa forma, os 26 terrenos para edifícios residenciais somariam R$ 480 milhões.
Para a UnB, é fácil manter esses terrenos vazios porque a instituição é um órgão do governo federal e, por isso, é isenta de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A alíquota para lotes sem edificações no DF é de 3%. Se não tivesse direito à benesse, a UnB teria que pagar um valor astronômico de IPTU: R$ 540 mil por ano, em média, para cada projeção. Ou R$ 14 milhões em impostos anualmente - isso só com relação aos terrenos vazios.
Luxo Entre os apartamentos residenciais, a maioria na Asa Norte, a universidade tem 816 imóveis alugados para terceiros, além de 677 residências funcionais. A maioria dos espaços reservados para professores fica na Colina, no fim do bairro, com 11 blocos. Mas há prédios inteiros reservados para os educadores nas quadras 205, 206, 107 e 214 Norte. Até no condomínio de luxo Lake Side, às margens do Lago Paranoá, a instituição mantém seis apartamentos para servidores.
Mas conseguir um imóvel funcional da UnB é missão praticamente impossível. "A rotatividade é baixíssima. No ano passado, recebemos 600 pedidos e só conseguimos contemplar 15 candidatos. Normalmente, as pessoas só deixam o imóvel quando se aposentam ou morrem", revela o secretário Gersino Duarte Silva. Os ocupantes desses apartamentos têm um desconto de 80% sobre o valor de mercado do aluguel e, por isso, há tanta procura.
O presidente do Sindicato da Habitação do DF, Carlos Hiram Bentes David, acredita que o fato de a UnB concentrar uma grande quantidade de lotes, apartamentos e salas comerciais não tem muito impacto nos preços de imóveis na cidade. Mas ele critica a concentração de patrimônio. "Isso não influencia muito na composição dos valores, apesar de a UnB ser uma das grandes proprietárias do DF. O grande questionamento é por que uma universidade com tantos bens tem deficiências graves em suas instalações", comenta o especialista. "Os aluguéis não chegam a 0,5% de rentabilidade, seria possível obter rendimentos maiores e investi-los em benefício da instituição", conclui.
Valores Levando em consideração que um imóvel na Asa Norte no padrão dos apartamentos da UnB não sai por menos de R$ 700 mil, os 1.493 imóveis residenciais de propriedade da instituição somariam pelo menos R$ 1 bilhão. Especialistas avaliam que esse montante seja muito maior, já que a UnB tem muitos apartamentos de três e quatro quartos, cujos valores facilmente ultrapassam R$ 1 milhão.

Postado por Marcos Linhares em 22/04/12 às 18:12.
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22/04/12 - Domingo
Educação
UnB- nossa universidade

Publicado no Correio Braziliense - 15 de abril de 2012

Universidade de Brasília completa 50 anos de existência neste domingo

Helena Mader




 

A trajetória de meio século de uma das principais instituições de ensino superior do país é marcada por inovação, pioneirismo e luta pela democracia

Glênio Bianchetti, artista plástico e professor: "Eu dava cursos de desenho embaixo das árvores, enquanto as máquinas em volta trabalhavam sem parar" 

O livreiro Francisco Joaquim de Carvalho, 
o Chiquinho, tem loja na ala norte do Minhocão há 23 anos 

Joaquim Josino da Rocha, um dos servidores mais antigos da instituição, conheceu Fidel Castro, a Rainha Elizabeth e Mandela 

O cientista político Raul Pietricovsky Cardoso, 26 anos, participou da ocupação da reitoria em 2008 

Brasília representou a realização de uma utopia. Surgiu a partir da ousadia de seus criadores, que fizeram da nova capital uma experiência inovadora. Uma cidade tão peculiar não poderia ter uma instituição de ensino superior como qualquer outra do país. A primeira universidade edificada em meio às árvores tortas do Planalto Central do Brasil teria que seguir o espírito arrojado que deu origem à cidade. E os fundadores da Universidade de Brasília (UnB) cumpriram a meta com perfeição. Esta semana, a instituição, motivo de orgulho para a capital federal, completa meio século. Com o cinquentenário, ressurgem os debates sobre a necessidade de resgatar os princípios do projeto inicial para garantir que a UnB continue como referência de qualidade nos próximos 50 anos. 

Para recontar um pouco da história da instituição, o Correio conversou com personagens que construíram o passado e o presente da UnB. A reportagem também buscou resgatar nos textos e nos ideais de seus fundadores a essência da proposta original. O legado da principal instituição de ensino superior começou a se solidificar logo depois da criação de Brasília. 

O antropólogo Darcy Ribeiro trocou o trabalho etnológico com índios do Pantanal e da Amazônia pela missão de criar uma universidade na recéminaugurada capital. A ele, juntou-se o educador Anísio Teixeira, com seus ímpetos de revolucionar o ensino no país.O arquiteto Oscar Niemeyer recebeu a missão de projetar edifícios adaptados aos novos conceitos universitários. Em seguida, pensadores das mais variadas áreas vieram de todos os cantos para ajudar a concretizar esse sonho. 

Nas palavras de Darcy Ribeiro, a UnB representava a possibilidade de "dar à população de Brasília a perspectiva cultural que a libertasse do grave risco de fazer-se medíocre e provinciana". Apesar de isolada dos grandes centros, a nova capital deveria surgir como um polo de produção de cultura e de conhecimento. 

O fundador e primeiro reitor da universidade quis implantar aqui o princípio da interdisciplinaridade como eixo fundamental. A ideia era que os alunos não ficassem isolados em seus cursos, mas tivessem acesso ao melhor de cada disciplina oferecida em sua área. Estudantes de química, biologia, matemática e física, por exemplo, poderiam compartilhar laboratórios, cursos e docentes. "Alunos e professores de cursos equivalentes se ignoramcompletamente", comentou, à época, Darcy, explicando qual era o modelo vigente. "Há um loteamento do saber em províncias vitalícias, com receitas fixas para a graduação em cada categoria profissional", justificou o fundador da UnB. 

As faculdades tradicionais, segundo ele, teimavam em continuar "estanques e autossuficientes". Para Darcy, "só uma universidade nova, inteiramente 
planificada, poderia estruturar-se em bases mais flexíveis e abrir perspectivas de pronta renovação do nosso ensino superior". O prédio mais conhecido da UnB, o Instituto Central de Ciências, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e também chamado deMinhocão, incorporou o espírito dessa proposta. Com ele, as disciplinas de diferentes cursos podem ser oferecidas em um mesmo espaço físico, para que os alunos circulem entre salas e laboratórios com facilidade. 

Empolgação 
O artista plástico e professor aposentado Glênio Bianchetti, 84 anos, acompanhou de perto todos os passos para que esse modelo inovador se transformasse na primeira e única universidade federal do DF. Cofundador da UnB, ele recebeu um chamado do antropólogo Darcy Ribeiro em 1962. Na época, ele era diretor do Museu de Arte de Porto Alegre e, na mesma hora, aceitou vir a Brasília para conhecer um pouco mais da proposta. "Logo que cheguei, vi a empolgação do Darcy. Passamos umamadrugada inteira conversando sobre o projeto e decidi me mudar definitivamente para a cidade", relembra. "Era gente chegando a toda hora, dos mais variados locais do país. A reitoria funcionava no prédio do Ministério da Educação e todos estavam muito animados por fazer parte dessa ideia." 

O clima era de experimentação e o câmpus, ainda sem edificações, funcionava como um grande laboratório. As aulas aconteciam ao ar livre ou sob tendas improvisadas. "Eu dava cursos de desenho embaixo das árvores, enquanto as máquinas em volta trabalhavam sem parar. Como não havia um modelo rígido, a gente tinha liberdade para experimentar e para errar. A UnB era como Brasília, algo realmente novo", conta o artista plástico, hoje um dos mais importantes do país. 

Darcy só convidou grandes nomes para compor a equipe que ergueu os pilares da Universidade de Brasília. "Algumas vezes, eu tinha vontade de deixar de dar aulas para virar aluno, tal era o nível dos professores que chegaram na época da criação da UnB. Era um clima fascinante, todos estavam mobilizados e muito animados para realizar esse projeto", comenta Bianchetti, gaúcho de nascimento e candango por opção. 

Um dos servidores mais antigos da instituição, Joaquim Josino da Rocha, 78 anos, partilha das reminiscências. Na sua memória, uma das lembranças mais fortes é o engajamento daqueles que deixaram a terra natal com a missão de construir uma inovadora universidade no centro do Brasil. O piauiense desembarcou em meio à poeira da nova capital ainda em construção e, por indicação de amigos, foi buscar emprego na nascente instituição. Foi fichado como contínuo da reitoria, onde trabalha há meio século. 

Seu Joaquim, como é chamado, testemunhou de perto todos os acontecimentos mais importantes da história da UnB. Ele acompanhou a construção do auditório Dois Candangos, onde foi realizada a cerimônia de inauguração. "Foram 54 dias de trabalho, noite e dia, até que os operários acabassem a obra", conta. Logo depois, ele viu o educador Anísio Teixeira ministrar a primeira aula da Universidade de Brasília. "Não tinha nenhum prédio aqui, então, eles improvisaram um espaço com lonas e tábuas. Ali, o Anísio Teixeira, que era umbaiano muito simpático, deu a aula inaugural. Era uma correria para deixar tudo pronto", recorda-se seu Joaquim. 

Entre as suas melhores lembranças está o contato diário com o primeiro reitor da UnB, de quem fala com muita ternura. "O Darcy Ribeiro era trabalhador e muito, mas muito inteligente. Ele brigou para que a universidade fosse construída na Asa Norte, porque teve gente que queria colocar a UnB lá para as bandas de Vargem Bonita (próximo ao ParkWay). Ele fazia com que todo mundo trabalhasse bem ligeiro", relembra. 

Seu Joaquim e Darcy se reencontraram nos anos 1990, quando o antropólogo voltou à UnB e se reuniu com o então reitor, João Cláudio Todorov. "Ele veio aqui poucos dias antes demorrer. Eu chamei o Darcy de senador, mas ele me puxou e disse para chamá-lo de professor. O Darcy dizia que a UnB era a filha caçula dele, tinha muito carinho por isso aqui", diz seu Joaquim. 

O funcionário logo virou garçom e passou a ter contato próximo com o poder. "Servi 18 reitores e quatro presidentes da República. Também coloquei café para o Fidel Castro e para a Rainha Elizabeth, quando eles visitaram a UnB.Mas o meu maior orgulho foi ter visto três dos meus quatro filhos jogarem chapéu aqui na universidade", relembra emocionado o homem que "completou só o ginasial lá no Piauí". Entre os visitantes ilustres que viu passar pela reitoria, as suasmelhores recordações são do encontro com o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. "Um homem muito bom, que sofreu muito. O Mandela foi simpático e me deu até um autógrafo." 

Tensão 
Três anos depois da inauguração da UnB, professores e funcionários ainda se dedicavam com afinco à consolidação dos pilares da universidade. Mas, em 1965, os acontecimentos políticos interferiramde forma decisiva na história da instituição. Naquele ano, os militares invadiram o câmpus pela primeira vez. O professor Bianchetti foi preso e ficou 28 dias detido no Batalhão de Guarda Presidencial. Não houve tortura ou maus-tratos,mas os impactos psicológicos daquele momentodelicadoficaramparasempre."A gente tinha posições políticas,mas não havia nenhum tipo de ação ou de conspiração.Nem tínhamos tempo hábil para isso, já que a UnB exigia muito trabalho", comenta. 

A empolgação da comunidade acadêmica,que era uma marca dos primeiros anos de existência, deu lugar a um clima de medo e tensão." Começaram as perseguições e decidimos apresentarumpedido de demissão coletiva. Mais de 220 professores deixaram a universidade na mesma tarde", relembra Bianchetti. Ele estava afastado quando, em1968, a polícia e o Exército invadiramo câmpus e prenderamsete alunos, entre eles o estudante de geologia HonestinoGuimarães -, posteriormente assassinado pela ditadura. 

O exílio forçado da universidade que Bianchetti ajudara a criar durou quase 20 anos. Em1984, Cristovam Buarque foi eleito reitor e começou o processo de redemocratização da UnB. No mesmo ano, ele assinou um ato que autorizou a recontratação de todos os professores que haviam participado da demissão coletiva de 1965. Bianchetti ficou na universidade por mais quatro anos. "Mas aí percebi que as coisas tinham mudado muito e me aposentei", conta o gaúcho, que criou os seis filhos e 16 netos na cidade."Saí da universidade, mas posso dizer que a UnB é um vício.Sempre que posso, eu passo por lá, observo,dou palpites",conclui. 

O vaivém de militares pelo câmpus também é o pano de fundo para a história do livreiro Francisco Joaquim de Carvalho, 52 anos. Chiquinho, como é conhecido por praticamente todos que algum dia já pisaram na UnB, tem uma loja de livros na ala norte do Minhocão há 23 anos. Ele começou a sua trajetória vendendo jornais na universidade, nos anos 1970. "Eu vendia jornais de esquerda, mas nem sabia direito do que se tratava. Na época, as pessoas queriam saber direito o que estava acontecendo, então, tinha muita procura", relembra. 

Em1980, ele trabalhou em livrarias movimentadas no Conic e no Venâncio 2.000. Com os patrões, descobriu a paixão pela literatura e o negócio virou também um hobby. Dois anos depois, passou a pegar as obras em distribuidoras para vendê-los na UnB. "Percebi que os professores não tinham tempo para comprar os livros e passei a levá-los diretamente nas salas. Eu já sabia quem gostava de qual assunto e comecei a vender bastante", explica. Chiquinho circulava pelos corredores do Minhocão com osl ivros equilibrados sobre a cabeça el ogo se tornou conhecido na instituição. 

Hoje, em sua loja amontoada de exemplares por todos os lados, ele vende publicações para a terceira geração de clientes. "Ser livreiro é uma profissão muito importante", comenta ele, que tem o ensino médio completo, mas ostenta uma bagagem de leitura maior do que muitos acadêmicos. Na UnB, ele passou a colecionar livros autografados por personalidades que visitaram a instituição, como Mandela, dalai-lama ou Darcy Ribeiro. Apesar de ser um nome conhecido, os negócios não vão tão bem como nos primeiros anos. "As megalivrarias e as vendas pela internet mudaram tudo. Mas sobrevivo graças à fidelidade da clientela", revela. 

A loja dele está sempre lotada de professores, estudantes e ex-alunos, como o cientista político Raul Pietricovsky Cardoso, 26 anos, que não abre mão de trocar dois dedos de prosa sempre que passa por ali. Formado há dois anos, Raul ajudou a escrever a história recente daUnB. Em 2008, o militante do movimento estudantil estava de férias quando o Ministério Público do DF eTerritórios começou a investigar supostas irregularidades na gestão da UnB. O assunto rapidamente virou um grande escândalo, especialmente quando surgiu a informação de que o então reitor, Timothy Mulholland, havia autorizado um investimento de R$ 470 mil na reformado apartamento funcional que ele ocupava. A compra de lixeiras de R$ 1 mil foi o estopim de uma crise que acabou com a renúncia do reitor. 

Raul Cardoso, que desde o ensino médio participara de movimentos estudantis, começou a organizar protestos com outrosalunos da UnB. As primeiras assembleias contavam com a participação de poucos engajados. Mas logo se transformaram em megaeventos quando o escândalo ganhou corpo. Em um protesto realizado em abrilde 2008, um grupo de alunos percorreu o Minhocão e seguiu para se manifestar em frente ao gabinete do reitor. "A rampa do prédio tremia. Fiquei até com medo, porque havia muita gente dentro da reitoria. De repente, um grupo de seguranças reagiu e, no calor do momento, derrubamos a porta do gabinete do Timothy com um caixão. Não foi nada planejado e, quando percebemos, havíamos ocupado o edifício", 
relembra Raul. 

Ali estavam, ali decidiram ficar. Começava então uma ocupação que durou 14 dias e mudou a história da UnB.O movimento ganhou força e repercussão nacional. A reitoria mandou cortar a luz e a água, mas os alunos permaneceram acampados nas salas e nos corredores do prédio de concreto armado. Diante do impasse, um grupo de representantes de professores, alunos e servidores foi chamado às pressas para uma reunião com o então ministro da Educação, Fernando Haddad. Era domingo, 13 de abril, quando o encontro se desenrolava em um clima tenso. Raul Cardoso estava lá. "De repente, o ministro pediu licença para atender o telefone. Era oTimothy anunciando que havia renunciado. Foi difícil conter a alegria, voltamos correndo para a reitoria para comemorar essa vitória", relembra Raul. 

Com a renúncia, o Conselho Universitário da UnB elegeu o professor de direito Roberto Aguiar como reitor temporário. Ele organizou novas eleições, e o grupo que havia se mobilizadoemtorno dos protestos manteve a união para cobrar mudanças nas regras da votação." A paridade foi uma grande conquista e acho que seria um retrocesso mudar isso nas próximas eleições", afirma Raul. 

Postado por Marcos Linhares em 22/04/12 às 15:57.
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25/03/12 - Domingo
Opinião
Nossa língua

Publicado em Veja, em 11 de maio de 2011

Deixem em paz a nossa língua - Lya Luft

Nasci com essa paixão, esse encantamento pelas palavras. Quando pequena, repetia para mim mesma as que achava mais bonitas: pareciam caramelos na minha boca. Colecionava mentalmente as mais doces, como translúcido, magnólia, borbulha, libélula, e não sei quais outras. Lembro que por um tempo detestei meu nome curtinho e sem graça: pedia a minha mãe que o trocasse por algo belo como Gardênia, Magnólia, Virgínia. Açucena me fascinou quando o li no meu livro de texto no 1º ano da escola, e quis me chamar assim. Mas eu queria muitas coisas impossíveis. Como lia muito (minha cama era embutida em prateleiras onde, em horas de insônia, bastava estender a mão e ter a companhia de um livro), a linguagem cedo fez parte da minha vida como as ficções. Eu lia o que me caía nas mãos, desde gibis até complicados volumes que eu não entendia mas pegava na biblioteca de meu pai, e lia achando impressionante ou bonito, misterioso ou triste.

Comecei a trabalhar com a nossa língua bastante cedo, traduzindo obras literárias do inglês e do alemão. Mais ou menos nessa época, início dos 20 anos, passei a escrever crônica de jornal, e poemas avulsos, que aos poucos foram sendo publicados em livros, até finalmente iniciar uma carreira de ficcionista já beirando os 40 anos. Antes disso fiz mestrado em linguística, e fui professora dessa matéria em uma faculdade particular durante dez anos. Não escrevo isso para dar meu currículo, mas para dizer que não desconheço o assunto: ler e escrever são para mim tão naturais quanto respirar, e conheço alguma teoria. Nosso idioma, o português do Brasil, me é íntimo, querido, respeitado, amado - e está em mim como a própria alma. Aliás, a psique se reconhece, se analisa e se expressa através das palavras.

De vez em quando, inventa-se alguma reforma para essa sutil, forte e independente engrenagem. Passei por várias nesses muitos anos, as ortográficas em geral pífias, algumas muito malfeitas. Porém a gente se adapta, até por razões de ofício. Mas, por favor, não tentem defender nosso português de estrangeirismos: a língua não precisa ser defendida. Ela é soberana. Ela é flexível. Ela é viva. Nenhum gramático ou legislador, brilhante ou tacanho, poderá botar essa dama em camisa de força, nem a conter num regime policialesco. Ela continuará sua trajetória, talvez sacudindo a cabeça diante das nossas desajeitadas tentativas de controlá-la. Como dirá qualquer bom professor de português, ou qualquer linguista dedicado, estudioso, uma parcela imensa dos termos que hoje usamos, que por muito usados pela classe culta foram dicionarizados - o dicionário sempre corre atrás da realidade -, começou como estrangeirismo. Não preciso citar, mas cito, garagem do francês, futebol do inglês, coquetel da mesma forma. A língua incorpora esses termos se são úteis, e os adapta ao seu sistema. Botou o "m" final em miragem, por exemplo, porque no nosso sistema as palavras não terminam em "age".

Muitos termos não podem ser traduzidos: quem diz isso é esta velha tradutora que dedicou a isso milhares de horas de sua vida. E não é possível formar frases decentes, fluidas, claras, expressivas como devem ser as frases, se a cada "estrangeirismo" tivermos de fazer um rodeio, uma explicação da palavra intraduzível. Isso, além do mais, nos colocaria na rabeira do mundo civilizado e globalizado, onde palavras - como objetos de bom uso - circulam de um lado para outro, pousam aqui ou ali, adaptam-se, ou simplesmente passam. Quando não passam, é porque são necessárias, e acabam colocadas entre aspas ou em itálico. Línguas altamente civilizadas usam "estrangeirismos" livremente, sem culpa nem preconceito, como fator de expressividade. Isso nem as humilhou, nem as perverteu: ficaram enriquecidas. Nós é que precisamos lutar contra uma onda terceiro-mundista, uma postura de inferioridade que nos faz gastar energias que poderiam ser aplicadas em algo urgente como um orçamento vinte vezes maior para a educação do nosso povo.

Postado por Marcos Linhares em 25/03/12 às 19:52.
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25/03/12 - Domingo
Opinião
A força da palavra e do cinema

 

SEM A PALAVRA, NÃO EXISTIMOS POR BETTY MILAN


"O Discurso do Rei é um filme inaugural por duas razões. Focaliza o sujeito na sua relação com a palavra e mostra, assim, ao grande público, que nós dependemos dela para existir. E privilegia a escuta, desqualificando os métodos que não levam em conta a vida subjetiva, a história de cada um"

        O Discurso do Rei é a história do pai da rainha Elizabeth II, que se vê obrigado a assumir a realeza porque Edward VIII, o irmão, abdica do trono. Para tanto, tem de vencer a gagueira de infância. Uma das críticas sobre esse filme, merecidamente ganhador de quatro Oscar, diz que o príncipe se cura graças aos "métodos pouco convencionais de um terapeuta da linguagem". De que forma procede esse terapeuta, cujo nome é Lionel?

        Não tem nenhuma credencial oficial para fazer o que faz. Autoriza-se a clinicar por ter se ocupado de soldados que voltaram da guerra incapacitados de falar. Curou-os pondo-se à escuta deles, incitando-os a falar e se ouvir. Valeu-se da escuta para que os soldados, reduzidos à mudez, voltassem a ser sujeitos da palavra. Ou seja, seres humanos.

        Lionel procede como o psicanalista. Também por isso desrespeita as convenções. Não chama o príncipe de sua majestade, mas de Bertie, como na infância em família. Quando sua majestade protesta, Lionel responde: "My castle, my rules". Uma frase que traduzida livremente significa: "Na minha casa, mando eu". Não diz por autoritarismo, e sim porque Bertie é tratável e sua majestade, não. Bertie pode, como na infância, brincar - e é por meio da brincadeira que ele conseguirá superar a gagueira e sustentar o próprio discurso. Tão importante é a brincadeira na cura que, na Abadia de Westminster, Lionel chama de poleiro o trono onde Bertie deverá proferir seu primeiro discurso pós-tratamento: "Sente aí no seu poleiro".

        O Discurso do Rei é um filme inaugural por duas razões. Primeiramente, porque focaliza o sujeito na sua relação com a palavra e mostra, assim, ao grande público, que nós dependemos dela para existir. Em segundo lugar, por ter privilegiado a escuta, desqualificando os métodos que não levam em conta a vida subjetiva, a história de cada um.

        O fato é que, apesar da dificuldade, o príncipe se torna George VI, o rei que declara a guerra contra os nazistas e o faz com um discurso impressionante, provando não só que era maior do que ele próprio poderia supor, mas que todos nós podemos nos superar. Isso tudo graças a Lionel, que, ao fim e ao cabo da travessia, Bertie acaba chamando de amigo. Tratamento justo porque o amigo faz pelo outro o possível e o impossível, dedica-se inteiramente a ele. Considera que não se trata de uma perda de tempo. Ao contrário, de um ganho. O belo filme de Tom Hooper pode ser visto como a ilustração de uma frase: o amigo quer contentar o amigo. E isso é o bastante.



Texto publicado na Revista Veja Edição 2216 - ano 44- nº19 11/05/2011

_________________________________________

1 Psicanalista e Escritora. Assina a coluna Consultório Sentimental em Veja.com. Publica mensalmente em Veja um artigo especialmente escrito para a revista impressa.

Postado por Marcos Linhares em 25/03/12 às 19:44.
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25/03/12 - Domingo
Opinião
Opinião - mulher & ciência

Revolução da mulher, evolução da ciência

Correio Braziliense - 19/03/2012

Maira Caleffi

Médica mastologista, é presidente da Femama 2013 Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama 2014 e do Imama 2014 Instituto da Mama do RS

Durante muitos séculos, a mulher viveu em segundo plano na sociedade - sem voz, voto ou vontade própria. Era vista como propriedade ou mercadoria. Aos poucos, foi adquirindo liberdade de ação e pensamento. Hoje, a mulher conquistou postura irrefutável diante do mundo. Ganhou novas atribuições na família e se fixou em altos cargos, em diferentes escalões.

Apesar de todo poder e ascensão, a mulher não deixou de ser mortal. Mas algumas correm tanto que se esquecem de si mesmas. Por esse motivo a Femama - Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama trabalha em uma campanha com o conceito "Mamografia - se não fizer por você, faça por mim". A meta é conscientizar a comunidade sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama e, especialmente, incentivar as mulheres a terem atitude em relação a isso.

Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), deverão ser diagnosticados 52 mil novos casos de câncer de mama no país só em 2012. E já sabemos que quase a metade deles é descoberta quando a doença já está muito avançada. O câncer de mama tem até 95% de cura se descoberto cedo, mas essa informação parece não ser assimilada por muitas mulheres com mais de 40 anos, que deveriam estar fazendo a mamografia anualmente - o que está assegurado pela Lei Federal 11.664, desde 2009, entre outros cuidados. Sem falar nas que deveriam fazer o exame mais cedo, conforme recomendação médica. É preciso acabar com o estigma social de que o câncer de mama é sinônimo de mutilação e morte. Afinal, o mundo já deu incontáveis voltas, a mulher conquistou seu espaço e respeito e a ciência avança cada vez mais.

Vamos voltar no tempo para entender melhor esse cenário, acompanhar as mudanças e participar das que se fazem necessárias. A primeira referência sobre o câncer de mama, de 2.500 anos antes de Cristo, estava registrada em um papiro recuperado no Egito, em 1862. Nele, constava verdadeira sentença de morte para a paciente com câncer: "Uma mama com tumor protuberante e fria ao toque representa uma doença para a qual não há tratamento". Já na Grécia, 460 anos antes de Cristo, Hipócrates, considerado o "Pai da Medicina", também considerava o câncer de mama doença incurável e não recomendava tratamento.

Finalmente, no século 1 depois de Cristo, o médico grego Leônidas tem a coragem de realizar a primeira cirurgia relacionada ao câncer de mama. Centenas de anos depois, apenas no século 18, o primeiro diretor da Academia Francesa de Medicina, Jean Louis Petit, realiza a primeira técnica de mastectomia radical - com a retirada total da mama. Cabe lembrar que a introdução da anestesia só ocorreu em 1846 por William Morton (EUA).

Podemos avançar rapidamente no tempo e destacar que, no final do século 19, o norte-americano William Stewart Halsted, um dos fundadores do Johns Hopkins Hospital, descreve sua técnica de mastectomia radical, que virou padrão de tratamento por mais de 70 anos. Em 1895 é realizada primeira reconstrução mamária pelo cirurgião austríaco Vincent Czerny. No mesmo ano, um estudante de medicina de Boston (EUA), Emile Grubbe, é o primeiro a usar a radioterapia em paciente com câncer de mama. Em 1943, Jacob Gershon-Cohen demonstra, pela primeira vez, a possibilidade de detectar lesões impalpáveis com a mamografia.

Na sequência, os eventos passam a acontecer em espaços de tempo mais curtos. Uma tecnologia avançada de imagem, as próteses de silicone, as técnicas cirúrgicas de conservação da mama, as terapias-alvo, entre outros avanços, até os direitos dos pacientes. O próprio Inca, em suas recomendações de 2011, diz que "toda mulher com câncer de mama deve ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar especializada que inclua médicos (cirurgião, oncologista clínico e um radioterapeuta), enfermeiro, psicólogo, nutricionista, assistente social e fisioterapeuta". Nossa presidente Dilma Rousseff disse que foi beneficiada pela prevenção e deseja que todas as mulheres tenham a mesma oportunidade e que a saúde da mulher é prioridade no seu governo.

E agora, contemporâneos da era de aquarius, o que os impede de fazer uso do seu sistema de saúde para viver mais e melhor? Se o serviço não funciona, denuncie. Faça bom uso de seus direitos e da sua cidadania. Mas, para ter voz e vez, é preciso ter valor. Brasileiras, façam um bem para vocês mesmas: cuidem-se e permitam que cuidem bem de vocês.

Postado por Marcos Linhares em 25/03/12 às 19:24.
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25/03/12 - Domingo
Exemplo
Orquestra mudando vidas

Publicado na revista Época - 4 de janeiro de 2010

O homem que cria orquestras

Quem é José Antonio Abreu, pai do projeto de ensino de música clássica da Venezuela que já transformou a vida de 1,2 milhão de crianças

Rodrigo Turrer

Thomas Coex El sistema. Esse é o nome simplificado de um mecanismo de inclusão único. Desde 1975, ele beneficiou 1,2 milhão de crianças venezuelanas com o ensino de música clássica. A Fundação do Estado para o Sistema Nacional de Orquestras Infantis e Juvenis da Venezuela, ou simplesmente El Sistema, mantém 246 núcleos espalhados pelo país, com 3 mil professores ensinando música a 280 mil alunos, 90% deles jovens pobres. Por trás desse fenômeno que atraiu a atenção do mundo está um homem de rosto magro, silhueta miúda e olhar carismático. Ele é José Antonio Abreu, de 70 anos, conhecido como El Maestro. Sua história e a história de sua obra representam um caso raro na América Latina de sucesso de longo prazo de um projeto cultural de governo voltado para os pobres.

Nascido em 7 de maio de 1939, José Antonio Abreu é o mais velho de seis irmãos. Ele passou a infância na pequena cidade de Valera, no oeste do país. Seu pai era governador de província. Do avô materno, Antonio Anselmi Berti, Abreu herdou o amor pela música. Berti dirigira a orquestra da Ilha de Elba, na Itália, antes de emigrar para a Venezuela com a mulher e um grupo de amigos, no fim do século XIX. Na bagagem, levou 46 instrumentos musicais. No novo país, Berti fundou uma pequena orquestra dedicada a apresentar o repertório clássico para as pessoas comuns. Transcrevia óperas de Verdi, Donizetti e Puccini. "Guardo na memória as estantes com as transcrições em livros e as partituras valiosíssimas, fundamentais na minha formação", diz Abreu.

Quando fala de seu precoce encantamento com a música clássica, El Maestro gosta de contar uma história engraçada.Aos 6 anos, já iniciado nas aulas de violino, ele teria ouvido uma vizinha dizer que o mundo estava prestes a acabar. Ela afirmava que Deus enviaria um anjo dos céus para tocar uma trombeta e anunciar o apocalipse. Abreu teria respondido: "Espero morrer antes do Juízo Final. Assim peço a Deus que me deixe tocar a trombeta". Seu jeito bem-humorado é um dos segredos do carisma que faz com que os alunos de música do sistema se apaixonem pela orquestra. Mas é a crença no poder transformador da música que alimenta em Abreu a convicção de que ela precisa ser ensinada. "Vejo a sociedade civil como uma orquestra, em que o sucesso é alcançado coletivamente. Com a música, a criança aprende a ser solidária e exigente. A música lhe oferece um caminho irreversível para a excelência", disse Abreu, em uma de suas raras entrevistas. "Espiritualmente enriquecida, a criança fica bem armada para enfrentar os perigos da sociedade e a pobreza material. Não existe melhor profilaxia social do que a música. Ela é um sinal de esperança."

"Vejo a sociedade civil como uma orquestra, em que o sucesso 
é alcançado coletivamente" José Antonio Abreu

Abreu entrou na Escola Superior de Música em 1957, aos 18 anos. A pedido do pai, ele se formou também em economia, com Ph.D. na área petrolífera. Mas a paixão pela música se impôs. Definindo-se ao mesmo tempo como um "trabalhador social" e um "educador musical", ele dirigiu em 1975 seu primeiro ensaio aberto em um parque de Caracas, a capital do país. Oito crianças participaram. No dia seguinte, eram 17, depois 46, chegando a 75 em uma semana. Nasceu assim a primeira orquestra de jovens da Venezuela. Hoje elas são mais de 120, não apenas executando obras eruditas, mas educando crianças.

Mais que uma instituição para o ensino de música erudita, Abreu queria criar um centro de formação para a vida. O essencial era favorecer a integração dos excluídos e proporcionar às crianças a possibilidade de ter reconhecimento e dignidade. Abreu traçou três objetivos. Primeiro, tirar crianças da exclusão social. A rede orquestral é aberta a todos, uma forma de ensinar e contribuir para o desenvolvimento comunitário. Em seguida, mediante a prática musical, inculcar nos jovens um conjunto de "valores nobres": rigor, disciplina, autocontrole, humildade e trabalho em equipe. Qualidades que deveriam ajudá-los a construir suas personalidades. Terceiro objetivo: proporcionar aos aprendizes uma iniciação estética.

O Sistema assume, frequentemente, o papel de uma família substituta: as crianças passam o dia nas escolas e são observadas e cuidadas de perto pelos professores. Podem ingressar no Sistema aos 2 anos. Durante os primeiros meses, manipulam falsos instrumentos de papelão, confeccionados para que possam adquirir as posturas corretas do corpo. Mais tarde, cada aprendiz recebe seu instrumento de graça e se torna totalmente responsável por ele. Tenha talento ou não, a criança passa a fazer parte de uma orquestra e participa de concertos. A integração importa mais que o dote artístico. O importante é reforçar a união, criar uma relação afetiva e proporcionar a alegria de tocar. "A vivência social da orquestra ensina a criança a se valorizar, a perceber que ela faz parte de um grupo, e sua participação é vital para o todo. Isso é transformador", diz Abreu.

Thomas Coex
O ASTRO
O maestro Gustavo Dudamel com a Orquestra Simon Bolívar. Estrela da música clássica mundial, ele é a cria mais famosa do sistema venezuelano

O Sistema criou ligações estreitas com a rede escolar. De manhã, encarrega-se do ensino musical nas escolas. À tarde, acolhe os alunos de 2 a 18 anos que desejem participar de cursos individuais ou coletivos, estudando música das 14 às 18 horas, além de fins de semana alternados. Os jovens músicos têm transporte e comida grátis. O resultado é espantoso. Entre 70% e 80% dos alunos do Sistema tornam-se músicos profissionais. Eles ensinam em todos os cantos do país, animam formações clássicas ou de jazz, integram inúmeras orquestras. Os melhores se juntam à Orquestra Sinfônica Jovem Simon Bolívar, a mais importante do país, uma das melhores do mundo. Sua batuta já foi comandada pelo talentoso Gustavo Dudamel, o jovem prodígio de 28 anos, revelado pelo Sistema, que se tornou o mais jovem regente a assumir a direção musical da Orquestra Filarmônica de Los Angeles, em 2009. Outro caso edificante é o de Edicson Ruiz, um ex-empacotador s de supermercado abandonado pelo pai que passou pelo programa e tornou-se, em 2002, o mais jovem contrabaixista da Filarmônica de Berlim, aos 17 anos.

"Não há nenhum trabalho mais importante na música hoje que o da Venezuela. É o melhor exemplo a ser seguido por todos", diz Sir Simon Rattle, diretor da Filarmônica de Berlim. É o que acontece. O Sistema se tornou uma inspiração mundial, principalmente na América Latina e no Caribe. Vinte e três países da região imitam (ou, mais propriamente, tentam imitar) o exemplo venezuelano. Uma orquestra ibero-americana está se formando com Espanha e com Portugal. Programas similares de educação musical em massa foram lançados na Itália e na Escócia. Nos Estados Unidos há projetos do tipo El Sistema em Nova York, Los Angeles e Chicago.

Prodigioso caso de continuidade em um continente caracterizado pela instabilidade política, econômica e social, o sucesso do sistema venezuelano ajuda a entender o fracasso de iniciativas brasileiras. Abreu e seu trabalho atravessaram sem percalços sete presidências, todas generosas em suas contribuições. O governo Chávez não fugiu à regra: destina US$ 29 milhões anuais ao Sistema. Em troca, Chávez usa a imagem do projeto a seu favor. Transmissões de propaganda chavista começam com uma gravação da Orquestra Jovem Simon Bolívar executando o Hino Nacional. Mas, o Sistema mantém unidades de ensino em regiões chavistas e oposicionistas, sem distinção.

O Sistema conta com 3 mil professores ensinando música 
a 280 mil alunos, 90% deles jovens carentes

Grande parte do sucesso do projeto se deve à personalidade de José Antonio de Abreu. Ex-ministro da Cultura e homem de imenso prestígio no país, Abreu obteve para o Sistema inúmeras facilidades: incentivos fiscais, patrocínio estatal, concessão de prédios públicos. Tem recebido prêmios por seu projeto e foi recentemente eleito membro honorário da Royal Philharmonic Society de Londres, uma distinção raríssima. "Ele é uma pessoa iluminada, magnética. Quando ele fala, todos ficam emudecidos em reverência", diz o maestro Isaac Karabtchevsky, diretor artístico da Orquestra Petrobras Sinfônica e que há 20 anos conhece Abreu.

Apesar de ainda precisar de ajuda de seu criador, o Sistema ganhou vida própria ao longo dos anos. Não depende exclusivamente de Abreu nem do governo. Recebe quase US$ 10 milhões de instituições privadas e é administrado de modo descentralizado, com autonomia para cada núcleo de ensino. "Falta ao Brasil um projeto assim, a longo prazo. Existem dezenas de boas iniciativas, mas muito esparsas e pontuais", diz o músico José Luiz Staneck, diretor da Musiarte, uma escola carioca que desenvolve trabalhos sociais de ensino de música com crianças carentes. Staneck esteve três vezes na Venezuela para conhecer o Sistema e o trabalho de Abreu. "É possível unificar os bons projetos brasileiros e fazer algo similar aqui, mas a ideia tem de superar o personalismo, seja do governante, seja do mentor."

Um caso de personalismo na tentativa de implementar o ensino de música clássica nas escolas brasileiras veio do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos. Na década de 30, recém-chegado da Europa, Villa-Lobos começou um projeto de ensino de canto orfeônico, uma espécie de coral não erudito. Era uma tentativa de ensinar música, disciplina e civismo nas escolas primárias. O projeto teve grande alcance e foi usado politicamente pelo Estado Novo de Getúlio Vargas. Começou a definhar com seu fim, em 1945, e praticamente desapareceu depois da morte de Villa-Lobos, em 1959.

Hoje há inúmeros projetos de ensino de música clássica no Brasil. O Neojibá, Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia, dá aulas a 150 jovens em todo o Estado. O respeitado Instituto Baccarelli tem cerca de 500 alunos na comunidade de Heliópolis, em São Paulo. O programa Guri Santa Marcelina, parceria da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e a entidade religiosa Irmãs Marcelinas, oferece formação musical a 7 mil alunos em 21 polos espalhados pela capital paulista. Comparados ao venezuelano, os projetos brasileiros são jovens e de alcance reduzido. Alguns dependem excessivamente do governo. Para vingar, é preciso ampliar a rede de atendimento e aumentar o número de aprendizes. El Sistema só chamou a atenção do mundo quando suas fileiras começaram a revelar músicos de primeira linha. Mas isso só aconteceu depois de 30 anos de trabalho com o lema de Abreu: "A cultura para os pobres não pode ser uma cultura pobre". 

Postado por Marcos Linhares em 25/03/12 às 19:15.
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25/03/12 - Domingo
África
Recordar é viver - Um continente com mil divisões

Clique aqui e veja o diagrama:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI242263-18049,00.html

24/06/2011 - 12:23 - ATUALIZADO EM 24/06/2011 - 12:23
Um continente à espera da liberdade
A África tem a menor proporção de países plenamente democráticos
CAMILA CAMILO E ELISEU BARREIRA JUNIOR (TEXTOS), RODRIGO CUNHA E GERSON MORA (GRÁFICOS), DAVID MICHELSOHN (INFOGRAFIA ONLINE)

O ano de 2011 tem sido agitado no cenário político da África. Revoltas populares derrubaram os ditadores Hosni Mubarak, do Egito, Zine El Abidine Ben Ali, da Tunísia, e abalaram o regime do líbio Muammar Khadafi. Mas o continente ainda está longe de se livrar totalmente de governos autocráticos. Segundo a organização Freedom House, referência no monitoramento da democracia, apenas nove das 53 nações africanas são livres.As lutas pela democracia não vêm rendendo frutos ali. Um dos casos mais dramáticos envolve o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, há 31 anos no poder. Sem um sucessor com a habilidade de unir as facções do país, ele anunciou que pretende concorrer a um novo mandato nas próximas eleições, que deverão ocorrer no ano que vem. O temor é que o ditador, de 87 anos e com a saúde frágil, morra na Presidência, levando a uma disputa violenta pelo poder. Nos próximos meses, outras nações africanas, como Egito, Tunísia e República Democrática do Congo, deverão escolher um novo presidente pela eleição direta ou indireta. É uma chance de abrir novos espaços para a liberdade.

Postado por Marcos Linhares em 25/03/12 às 19:06.
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19/03/12 - Segunda-feira
Crônicas
Pena Capital - Eduardo Almeida Reis - Medicinas

Correio Braziliense - 19 de março de 2012 - caderno Diversão & Arte - páginas 2

MEDICINAS

Humberto Benedetti, saudoso amigo, foi açougueiro em Mococa, SP. Certa noite, montado a cavalo debaixo de chuva, tangia duas vacas para matar em seu estabelecimento, quando teve a maior emoção de sua vida. Contou-me que a cancela foi fechada para deixar passar o trem que se dirigia a São Paulo. Luzes acesas, no vagão da segunda classe viajava seu filho Francisco, 17 anos, que faria vestibular na melhor faculdade de medicina do Rio de Janeiro.

Formado, Francisco Benedetti logo chegou a catedrático de tisiologia, custeou os estudos médicos de seu irmão caçula, comprou fazenda para os pais e foi muito amigo meu, apesar da diferença de idade. No príncipio da década de 1930, viajou de navio para os Estados Unidos, onde participou de Olimpíadas Universitárias. Vigia a Lei Seca norte-americana,que só terminou em 1933. O navio brasileiro, surto no porto ianque, era considerado território estrangeiro. E o estudante tivera a cautela antecipada de investir todos seus trocados em cachaça brasileira.

Vai daí que sua cabine ganhou fama nos States como "Barzinho do Benedetti" e o atleta olímpico faturou bom dinheiro, que o ajudou a concluir seus estudos no Rio. Perdi a conta das vezes que viajamos para Mococa, o catedrático de tisiologia e o rapaz que gostava de fazendas e já tomava os seus chopinhos, junto com os seus uisquinhos, fumando seus charutinhos, apesar das advertências do especialista em pulmões. 

Nessas viagens, fiquei muito amigo do velho Humberto, com quem jantava e tomava repetidos chopes sempre que ele ia ao Rio. Assim como seu filho, o pai era grande contador de casos, um tipo inesquecível. Se me ponho a falar dos Benedetis escrevo um livro, quando só quero conversar com o leitor do Correio Braziliense sobre as diversas medicinas existentes no planeta.

Adepto da medicina clássica, que teria estudado se não sofresse de hemofobia (pavor de sangue), vejo com imensa curiosidade todas as medicinas que se praticam por ai. Tanto a  clássica, que vem conseguindo conquistas espantosas, como as demais, todas as medicinas se valem de um fato mais antigo que a Sé de Braga: muitas das enfermidades se curam sozinhas. O efeito placebo não me deixa mentir. E a humanidade lá vai vivendo aos trancos e barrancos, enquanto der.

Que me diz caro e preclaro leitor de um escritor que foi alfaiate, jogador de futebol, professor de matemática, comerciante, industrial, fazendeiro e minerador? Um cidadão nascido em Igarapava, SP. em 1923, compositor de várias músicas de sucesso, residente em Goiânia desde 1938, que hoje se dedica à literatura, à música e aos bons amigos nas pescarias no Rio Araguaia?

Figura original, não é? Refiro-me ao escritor Bariani Ortêncio, assinante do Correio Braziliense, que diz gostar das tolices que escrevo e quis ter as gentilezas de me enviar, por meio da Thesaurus Editora, seu livro Medicina Popular do Centro-Oeste, 540 páginas, 3a. edição revista e ampliada.

É livro para ser consultado e curtido com calma, colhendo assuntos e receitas para o cronicar  do dia a dia. Quero ver se no Centro-Oeste se usa o chá de erva-de-passarinho (de árvore sem espinho), como aquele que me curou de uma gripe que durava dois meses e resistia à melhor farmacologia da década de 1970.  

Postado por Marcos Linhares em 19/03/12 às 18:19.
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13/03/12 - Terça-feira
Recordar é Viver- Educação
Por que não funciona? Os descaminhos da educação brasileira

Matéria de capa, da revista Fale Brasília, publicada em junho de 2009, escrita por mim (Marcos Linhares) e pelo Rafael Oliveira.

Enquanto o Ministério da Educação garante que a educação melhora no Brasil, há poucos quilômetros dali, alunos de escola pública do DF ameaçam professores de morte

Por Marcos Linhares e Rafael Oliveira Da equipe Fale!Brasília Professores sendo espancados e com medo de dar aulas, diretores sendo assassinados, meninos com dificuldades em ler e escrever e mal conseguindo fazer contas básicas de somar e subtrair. O fato é que a educação brasileira está mal das pernas. Apesar de uma aparente melhora nos resultados das avaliações, para especialistas ainda é muito pouco. A Prova Brasil de 2007, de Língua Portuguesa da 4ª série, revelou um desastre dos esforços empenhados pelo Ministério da Educação. Nenhuma capital brasileira atingiu a nota mínima esperada, ou seja, os professores não conseguem ensinar ou os alunos não conseguem aprender (ou quem sabe, ambos). Apesar dos investimentos governamentais, a que se deve esse triste resultado? A capital do Brasil ocupa o segundo lugar do ranking, em relação à prova citada. A campeã foi Campo Grande (MT) e Natal (RN) ocupa o último lugar. Lembramos que a campeã não conseguiu alcançar a média mínima, ou seja, a campeã nem passou de ano, reprovou. A realidade da educação brasiliense é um reflexo do restante do país. Talvez em menor proporção. Para o diretor da Escola Classe 104, Marcus Vianna, situada na Asa Norte, em Brasília, "os resultados insatisfatórios das avaliações educacionais são espelho da forma como a educação é tratada no país", desabafa. "Somos o país do assistencialismo, se fossemos da educação, seríamos mais independentes", denuncia o sociólogo, ex-diretor de Educação Básica do Inep e criador da Prova Brasil, Carlos Henrique Araújo. Em meio ao "caos que é a educação brasileira", segundo o especialista João Batista Oliveira, o MEC lançou este ano o Ensino Médio Inovador. Segundo o programa "busca-se uma escola que não se limite ao interesse imediato, pragmático e utilitário". Enfim, o programa tem como objetivo a melhoria da qualidade do ensino médio brasileiro nas escolas públicas estaduais. Em meios aos esforços do poder público, diretores e especialistas ainda o pensam como medidas pontuais, apenas para apagar o incêndio, depois de apagado, abandona-se a casa queimada. Os governos enfrentam dois desafios básicos: a universalização e a qualidade do ensino. Existe um problema nestes desafios. Como universalizar mantendo a qualidade? Entende-se por universalizar, a disponibilização de vagas nas escolas para todos. Mas, se com o acesso limitado a qualidade está baixa, como será na proliferação de construções e formação de professores? O diretor Marcus Vianna adverte que "ter título significa que a pessoa teve oportunidade de aprender, mas, não significa que ela aprendeu", pondera. Partindo desse pensamento, pode-se depreender que os resultados mostram exatamente isso: os professores não aprenderam e não conseguiram passar o pouco aprendido para os alunos. " Menor esforço. Está aí um dos problemas culturais de nosso país. Pais, professores e alunos, enfim, todos temos que trabalhar o conceito de que tudo é possível, desde que com suor, trabalho duro, esforço. Mas como fazer isso? Copia-se e cola-se tudo. Inventam-se mil desculpas para se postergar o trabalho, e quando é possível, ele nem chega a ser feito. Isso passa para todas as esferas. E assim vive a gestão da educação, da saúde, dos Três Poderes, do país", desabafa Carlos Henrique Araujo. Violência no DF Há anos, professores sofrem algum tipo de ameaça: física, verbal e moral. O diretor Carlos Mota, diretor do Centro de Ensino Fundamental Lago Oeste, foi assassinado na madrugada do dia 20 de junho de 2008. Até hoje a escola não se recuperou da perda do diretor, um educador renomado no DF que sonhava em tornar o Centro de Ensino Fundamental do Lago Oeste (agora CEF Professor Carlos Mota) a melhor escola do Brasil. A polícia acredita que Carlos Mota foi morto por atrapalhar os negócios dos traficantes ao redor da escola. Três dias antes do assassinato, Carlos esteve em cada uma das salas pedindo aos alunos que denunciassem à polícia qualquer atitude estranha envolvendo ameaças ou drogas, e em outras ocasiões o professor pediu policiamento extra para a escola. Segundo dados oficiais da Câmara Legislativa do DF, seis professores são agredidos por semana e cerca de 1.400 agressões por ano. Infelizmente essa rotina é realidade na cidade. Uma falta de respeito com os docentes e a direção das escolas. Por isso, foi pedida a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar a causa de violência na rede pública do DF. A CPI não foi instaurada por falta de assinaturas. Os governistas não apoiaram a Comissão. Em Guariroba, na região administrativa de Ceilândia (DF), a rotina é a mesma: tráfico de drogas próximo a escola, ameaça de morte e ataques verbais contra a direção. Na primeira quinzena do mês, um aluno de 14 anos ameaçou um professor com faca, após ser repreendido em sala de aula. As agressões não se limitam aos portões da escola, e já alçaram vôos para o novo point de encontro de gangues: a internet. No orkut, um grupo de alunos chegou a perguntar qual a melhor maneira de se matar a professora deles... Os professores não tiveram dúvida e registraram ocorrência na Delegacia da Criança e Adolescente (DCA). Eles temem que os lauinos não fiquem só no campo das ameaças. Segundo foi divulgado, os aluno chutam o portão, batem nos carros dos docentes e ficam na frente da escola para bloquear a saída dos professores que estão trabalhando sob pressão e medo. O caso mais grave aconteceu quando um aluno tumultuava uma sala de aula. O professor expulsou o aluno e o encaminhou à direção. O aluno fugiu da escola. Quando o professor deixou o colégio, por volta das 18h, se deparou com o aluno, que mostrou uma faca na cintura e o ameaçou de morte. A mãe do rapaz foi chamada à escola e afirmou ter perdido o controle sobre as ações do filho devido à dependência química. A escola vive em clima de tensão. O medo de uma tragédia acompanha a rotina da escola. Prova Brasil A Prova Brasil avalia as habilidades em Língua Portuguesa (foco em leitura) e Matemática (foco na resolução de problemas). A primeira edição foi em 2005, e em 2007 houve nova aplicação. A prova avalia apenas estudantes de ensino fundamental, de 4ª e 8ª séries. A avaliação é quase universal: todos os estudantes das séries avaliadas, de todas as escolas públicas urbanas do Brasil com mais de 20 alunos na série, devem fazer a prova. O último resultado apontou a capital do Mato Grosso, Campo Grande, com a melhor nota, 195 pontos. A pior capital foi Natal, com 155. O Distrito Federal aparece em segundo lugar, com 191. A média mínima esperada é 200. Nenhuma capital atingiu a média mínima. Os dados nacionais da Prova Brasil mostram que 1.246.371 alunos da rede estadual de ensino de 8ª série fizeram a prova e 772.811 alunos de 4ª série. Na rede municipal, foram 548.589 alunos de 8ª série e 1.535.355 de 4ª série. No DF, 31.286 de 4ª série e 19.778 de 8ª série. "O processo educacional é muito complexo, e não é apenas uma coisa que melhora a educação", disse a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar. "O primeiro fator de uma educação de qualidade para todos consiste em focalizar a relevância pessoal e social. Ninguém se oporia abertamente a uma formulação que afirmasse que a educação deve servir para que as pessoas e os grupos atuem no mundo, e para que se sintam bem atuando nesse mundo", alega Cecília Braslavsky em seu livro Dez fatores para uma educação de qualidade para todos no século XXI (editora Moderna e Fundação Santillana). Milagre no Harlem No bairro Harlem, em Nova Iorque, as escolas conhecidas como "no excuses" revolucionaram a educação para crianças de baixo nível socioeconômico e produziram ganhos em pouco tempo. Estas escolas "sem desculpas" ensinam bom comportamento, avaliam permanentemente os resultados dos alunos, mudam os professores de baixo desempenho, e dão aos estudantes o apoio e o tempo necessários para trabalhar e se desenvolver. São também "charter schools", escolas independentes que atuam com apoio público. Boston também abriga várias escolas "sem desculpas". Das 17 escolas presentes na cidade, sete se destacam pelo alto rendimento dos alunos. As sete escolas superaram dramaticamente escolas públicas de Boston em Inglês e Matemática, onde o nível de habilidade varia de 33% para 50%, dependendo do grau e disciplina. Além disso, quatro das escolas superaram estudantes na vizinha afluente Brookline, onde apenas 12% dos estudantes são de famílias de baixa renda. Todas, exceto uma das sete escolas de alto desempenho impulsionaram os professores altamente qualificados para conduzir seus alunos em um rigoroso programa acadêmico, bem alinhado com as normas, que pretende fixar cada criança no caminho para a faculdade. A única exceção das escolas "sem desculpas" é a Match High School, cujo programa partilha de muitas características escolares, incluindo o apoio para as normas, ensaios freqüentes, uma escola com o dia mais longo (das 8h30 às 5h) e é extremamente seletiva nas contratações dos professores, onde tem um trabalho de acompanhamento de ética. Juntas, as sete escolas educam 2.150 estudantes, apenas 4% dos 57.300 alunos nas escolas públicas de Boston. A porcentagem média de estudantes de baixa renda é de 67%, comparado a 71% nas escolas públicas. Setenta e oito por cento das "charter schools" são de estudantes hispânicos ou afro-americanos, comparado a 76% no distrito como um todo. A maioria dessas escolas opera a baixos custos. San Rafael, Califórnia A cidade, localizada no Estado da Califórnia, Estados Unidos, abriga a escola elementar Bahia Vista. Esta escola é a primeira no norte da Califórnia que pretende enviar todas as crianças para a escola. Dos 423 estudantes da Bahia Vista, mais de 90% ou 384 crianças, são hispânicos, de acordo com a Secretaria de Estado da Educação da Califórnia, segundo os últimos dados de 2006/2007. Na San Rafael Elementar District, 56,7% dos estudantes são de ascendência latina. Cerca de 30 escolas participam nacionalmente das Universidades "Sem desculpas". A Aceitação no programa exige uma equipe composta pelo diretor e pelo menos um professor de cada grau. Na Bahia Vista, cerca de um quarto do corpo docente tem freqüentado as sessões de desenvolvimento profissional para educar os professores sobre o programa. O pedido é apresentado e em seguida, exige das escolas respostas sobre perguntas e apresenta um vídeo detalhando o que já foi realizado para criar, entre outras coisas, uma "cultura universal de realização", e planos específicos para continuar o trabalho acadêmico. Saiba mais: Educação Básica brasileira A Secretaria de Educação Básica (MEC) zela pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A educação básica é o caminho para assegurar a todos os brasileiros a formação indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Os dois principais documentos da educação básica são: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 e o Plano Nacional de Educação (PNE), Lei nº 10.172/2001, regidos, naturalmente, pela Constituição da República Federativa do Brasil. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Educação, que promove estudos, pesquisas e avaliações sobre o sistema educacional brasileiro. Para gerar seus dados e estudos educacionais o Inep realiza levantamentos estatísticos e avaliativos em todos os níveis e modalidades de ensino: Censo Escolar, Censo Superior, Avaliação dos Cursos de Graduação, Avaliação Institucional, Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Exame Nacional para Certificação de Competência (Encceja) e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) foi criado em 14 de abril de 2004, pela Lei n° 10.861. O Sinaes é o novo instrumento de avaliação do MEC/Inep. Formado por três componentes principais: avaliação das instituições, dos cursos e do desempenho dos estudantes. O Saeb faz pesquisa por amostragem, do ensino fundamental e médio, realizada a cada dois anos. A Educação Pública do Distrito Federal, em 2007, foi beneficiada com R$ 3.135.399.443,00 (três bilhões, cento e trinta e cinco milhões, trezentos e noventa e nove mil, quatrocentos e quarenta e três reais), de acordo com a LOA - Lei Orçamentária (Lei nº 3.934, de 29 de dezembro de 2006) e a Circular nº 09/2006-SUFIN/SEF-FCDF. O montante representa acréscimo de 15,64% em relação a 2006. Esses recursos são oriundos de três Unidades Financiadoras: FCDF - Fundo Constitucional do Distrito Federal, FUNDEF - Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, FUNDEB - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização do Magistério e SEDF - Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Bom exemplo na Escola Classe 104 Norte "Toda avaliação é válida para saber como está, mas, é imprescindível analisar a realidade da escola", disse Marcus Costa Vianna, diretor. E adverte que "devemos ter cuidado para não fazer um ranqueamento de escolas, é perigoso". Segundo o diretor, fazer ranqueamento é injusto sem analisar o contexto da escola e se a escola tirou uma nota insatisfatória nos exames do MEC, não significa que a escola é ruim, mas é o reflexo de como a educação é tratada no país. A escola situada na Asa Norte, Plano Piloto do DF, tem cerca de 650 alunos e média de 38 alunos por sala de aula. A escola atende de 4ª a 8ª série. Ao total, 133 alunos de 8ª série fizeram a Prova Brasil. A nota da escola foi 263,17 para 8ª série, em Língua Portuguesa e 286,19 em Matemática. A média do estado foi 238,00 para Língua Portuguesa e 252,20 para Matemática. O especialista em educação, Carlos Henrique Araújo explica que a média mínima esperada era 300 para a 8ª série. A escola classe realiza o projeto Revivendo Êxodos, onde os alunos viajam para locais especificados pela diretoria e voltam caminhando, com o objetivo de conhecer as cidades históricas. O projeto começou em 2000, quando Marcus Vianna era diretor do colégio Setor Leste, em Brasília. Os alunos estudam o meio ambiente, fazem pesquisas de campo, tem aulas de matemática e patrimônio histórico. O projeto tem parceiros como o Corpo de Bombeiros do DF, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Polícia Ambiental, entre outros. No ano passado, os alunos viajaram 400km de ônibus e voltaram a pé, nos trechos onde era possível. Este ano, em outubro, os alunos viajarão para Cristalina - GO. O diretor conta que 80% dos alunos vem de fora do Plano Piloto. Os estudantes vêm de Águas Lindas (GO), Luziânia (GO), Gama, Sobradinho, Itapuã e Paranoá, no DF. Enquanto a direção da escola e os professores estão preocupados com o desenvolvimento educacional das crianças, os alunos estão preocupados com outra coisa. "Eu acho a escola ruim porque os professores não deixam a gente usar boné na sala", conta o aluno Robson, 13, nome fictício. "A educação também tem que vir de casa. Ultimamente, os pais não têm colocado rédeas curtas para os filhos. Já veio pai reclamar que eu tomei o celular de um aluno que atendia dentro da sala de aula", desabafa Vianna. Triste história da Escola Normal A primeira Escola Normal do Brasil foi criada em 1835, em Niterói, no Rio de Janeiro. O Curso Normal tinha o objetivo de formar professores para atuarem no magistério de ensino primário e era oferecido em cursos públicos de nível secundário (hoje Ensino Médio). A partir da criação da escola no Município da Corte, várias Províncias criaram Escolas Normais a fim de formar o quadro docente para suas escolas de ensino primário. Desde então o movimento de criação de Escolas Normais no Brasil esteve marcado por diversos movimentos de afirmação e de reformulações, mas não obstante a isso, o Ensino Normal atravessou a República e chegou aos anos 1940/50, como instituição pública fundamental no papel de formadora dos quadros docentes para o ensino primário em todo o país. O presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Distrito Federal (SinproEP-DF), Rodrigo de Paula, formado na Escola Normal do DF e ex-presidente do Grêmio da mesma, lamenta a sua extinção. "A escola normal é um centro de ensino de excelência, onde formava bons professores com experiência e estágio. Infelizmente o governo fechou", lamentou o professor. Luz no fim do túnel Apesar do caos educacional em nosso país, especialistas ainda tentam ter um pouco de otimismo, e acreditam que com esforços verdadeiros a educação pode mudar. O principal investimento imediato deve ser na qualidade da formação dos professores, segundo João Batista Oliveira. A péssima formação vira um círculo vicioso: o professor não aprende com qualidade e não passa ensino de qualidade para os alunos, que poderão ser os próximos professores. Na prática, corre-se o risco de ensinar teorias formuladas há anos, histórias que são clichês, principalmente na matéria de História. As teorias matemáticas, físicas, químicas são decoradas, e os próprios professores não entendem as teorias que ensinam, segundo Carlos Henrique Araújo. Para o deputado distrital Rogério Ulysses (PSB-DF), deve-se identificar onde estão os pontos mais graves na qualidade e desenvolver uma solução de longo prazo. O presidente Luís Inácio Lula da Silva lançou o Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica. Por meio desse plano, o docente sem formação adequada poderá graduar-se nos cursos de primeira licenciatura, com carga horária de 2.800 horas, mais de 400 horas de estágio. O Plano de Formação é destinado aos professores em exercício das escolas publicas estaduais e municipais sem formação adequada à LDB. O Governo Federal deve investir R$ 1 bilhão para por o plano em prática e oferecerá mais de 330 mil vagas em 21 estados brasileiros. Os cursos deverão ter início no segundo semestre de 2009 e as outras entradas previstas nos anos de 2010 e 2011. As instituições formadoras que participam do plano receberão recursos adicionais do Ministério da Educação, num montante de R$ 700 milhões até 2011 e R$ 1,9 bilhão até 2014. Seguindo o pensamento de investimento na formação do professor, dos especialistas em educação, existe a possibilidade de um salto na qualidade do ensino em torno de 10 anos. Entrevista A educação liberta do conceito do "ser violento" Entrevista com James Garbarino O especialista e escritor americano James Garbarino (Loyola University, EUA) participou de missões para a Unicef que avaliaram o impacto da Guerra do Golfo em crianças no Kuwait e Iraque e ainda serviu como consultor para programas de atendimento a crianças refugiadas vietnamitas, da Bósnia e da Croácia. Garbarino já trabalhou como consultor inclusive para o FBI. Em entrevista fala sobre o papel de todos ao lidar com a violência que atinge as crianças. Fale! Brasília - O Senhor estudou o impacto da guerra do Golfo sobre as crianças. Quais suas conclusões? No Brasil, especialistas consideram a realidade das favelas do Rio de Janeiro ou de outras capitais como sendo verdadeiras guerras. São situações que podem ser comparadas? James Garbarino - Eu regularmente falo das "zonas urbanas de guerra" no contexto em que comparo a violência urbana dos EUA e a violência política experimentada em verdadeiras zonas de guerra. Eu acho que existem paralelos e similaridades, particularmente na experiência de trauma e " indisponibilidade psicológica" dos pais traumatizados sentida por algumas jovens crianças. E, alguns adolescentes em zonas urbanas de guerra também se vêem como soldados de certa maneira. Pesquisas em favelas relatam que a maioria das famílias encontram maneiras de lidar e cuidar de seus filhos quando eles estão novos, mas muitas vezes os "perdem" quando entram na adolescência e entram para o sistema de gangues. Fale! Brasília - De que forma a Educação pode minimizar o impacto da violência sobre as crianças? James Garbarino - A Educação pode focar em alternativas de ensino que possam lidar com a violência e recursos psicológicos para ajudar as crianças a lidarem com as ameaças postas pelos traumas crônicos. Este é o foco do meu livro de 1922 "Criança em Perigo: lidando com as consequências da violência na comunidade". Fale! Brasília - O senhor diz que os adolescentes estão cada vez mais violentos. Por que isso acontece? James Garbarino - As influências que estimulam o comportamento violento são "idéias" sobre a violência e "práticas" de comportamento agressivo. O impacto da violência nos meios de comunicação em massa é significativo, nesse aspecto, assim como o efeito da violência nas ruas e a desumanização da linguagem. Fale! Brasília - Qual o papel das escolas na prevenção à violência? James Garbarino - As escolas podem ser centros para lidar com traumas, ao reconhecer e intervir nos maus tratos às crianças (a maior "causa social" de comportamento violento delinquente das crianças) e ao ensinar como resolver conflitos de maneira não-violenta. Fale! Brasília - As meninas estão mais violentas que os meninos? James Garbarino - Meu argumento é de que a diferença que havia entre o comportamento agressivo dos dois está diminuindo (pelo menos na América) por que as idéias sobre a violência estão dando validade à agressividade feminina mais agora do que no passado. Fale! Brasília - Os pais têm dificuldades de desempenhar o papel de educadores? James Garbarino - Os pais são sempre professores. O mais importante é se eles têm consciência disso e como eles vão cumprir essa tarefa de ensinar aos filhos deles.

Postado por Marcos Linhares em 13/03/12 às 17:42.
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13/03/12 - Terça-feira
Comportamento
Mapa da infidelidade feminina no Rio

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Postado por Marcos Linhares em 13/03/12 às 15:02.
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23/02/12 - Quinta-feira
CURSOS
Media Training

Cheguei no topo. E agora como me comunicar com a imprensa? Existem diferenças entre comunicar-se com jornalistas de emissoras de TV, Rádio, ou impresso? Qual roupa vestir? Quais acessórios utilizar? Como conseguir utilizar o espaço dado pela imprensa de forma POSITIVA para sua organização? Como responder a imprensa em momentos de crise?... As perguntas são muitas e todas as respostas estão no Media Training com o selo da Agência C7. Aprenda a utilizar estrategicamente o seu precioso espaço na mídia e usufrir positivamente de sua relação com a imprensa. CLIQUE AQUI E CONHEÇA O MEDIA TRAINING OFERECIDO PELA AGÊNCIA C7

Postado por Marcos Linhares em 23/02/12 às 22:37.
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16/02/12 - Quinta-feira
Poesia
Poema Eloá pelo caminho - por Marcos Linhares


Tentaram calar a bela menina Eloá
por ciúme, machismo, motivo vão
Discretamente, em frente à mídia
desarmaram a polícia e a razão

Deram voz a milhares de Eloás
perseguidas por não aceitarem tudo
por suas vozes independentes
que falam mesmo com bocas fechadas

Em março, mais um dia internacional
irracional não celebrar as Eloás
que continuam dizendo "não"

Não hã vilão que mereça
arrancar, de uma mulher,
a voz e o valente coração 

Postado por Marcos Linhares em 16/02/12 às 15:54.
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