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Da SuperInteressante - Por que ingerir sal?
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Recordar é viver - EMS Pharma em Brasília
Um belo exemplo - o TeleLibras
A magia de Maragogi- Diário de Natal
Deu na Época - História de cinema - O talentoso Fábio
Recordar é viver- os esquecidos da Terra do Meio
Ótimo artigo do saudoso Moacir Scliar para fazer pensar: Um país em busca de leitores
Matéria que cita meu amigo Paulo Roberto Moura, parabéns Paulo!
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04/02/12 - Sábado
Política
Recordar é viver - O direiro universal de ser feliz

revista Época - 31 de julho de 2006

Conexão evangélica?

Deputados da Universal são acusados de ter participado da criação da máfia das sanguessugas

ANDREI MEIRELES E RAFAEL PEREIRA

Na lista das sanguessugas estão presentes 28 dos 60 integrantes da Frente Parlamentar Evangélica. Outros sete ex-deputados evangélicos também estão sob suspeita de envolvimento no esquema. O número mais impressionante se refere à bancada ligada à Igreja Universal do Reino de Deus: 14 dos 16 deputados são investigados. Ex-coordenador da Universal no Congresso Nacional, o ex-deputado Bispo Rodrigues renunciou para evitar a cassação no escândalo do mensalão. Agora, foi denunciado à Justiça Federal como um dos principais operadores da máfia das ambulâncias.

No depoimento à Justiça, Luiz Antônio Vedoin afirmou que a servidora pública Adarildes Costa, conhecida como Ada, era a operadora da Universal entre as sanguessugas. Ela é da Igreja Batista, foi assessora do Bispo Rodrigues e tinha as senhas dos deputados para acessar o sistema on-line do Ministério da Saúde. Era ela, segundo as acusações, quem decidia onde seriam aplicados os recursos das emendas ao Orçamento. 

ORIGEM
O ex-deputado Bispo Rodrigues (à dir., de azul) no dia da prisão.
Ele teria ampliado o esquema iniciado pelo colega Lino Rossi (à esq.)

De acordo com Vedoin, os deputados da Universal recebiam 10% sobre o valor das emendas e Ada 3%. Segundo Vedoin, em outubro de 2005, depois da renúncia de Rodrigues, Ada procurou o ex-deputado. Teria feito ameaças com um dossiê contra a Universal e exigido dinheiro para não divulgar a papelada. Segundo Vedoin, Rodrigues entrou em pânico e pediu ajuda. Para resolver a situação, o trio teria se reunido no hotel Meliá, em Brasília. Ali, teria sido fechado um acordo: Ada receberia R$ 200 mil - R$ 185 mil em cheques e R$ 15 mil em dinheiro em espécie - e o Bispo Rodrigues abriria mão das comissões devidas pelo esquema.

ÉPOCA ouviu Ada. Ela diz que recebia 3% de comissão porque participava da elaboração dos projetos para a venda de ambulâncias. Mostrou um cheque da agência do banco BCN em Cuiabá no valor de R$ 50 mil, com data de 30 de novembro de 2005, duas vezes devolvido por falta de fundos. Seria, segundo Vedoin, o preço de seu silêncio. "É mentira", diz Ada. "Esse cheque e outros foram dados em pagamento a serviços."

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos investigadores da CPI das Sanguessugas, se diz impressionado com o envolvimento de evangélicos com as supostas falcatruas. "A bancada da Universal atuava como uma quadrilha sob o comando do Bispo Rodrigues", afirma Gabeira. "A bancada da Igreja do Evangelho Quadrangular, liderada pelo deputado Josué Bengston (PTB-PA), dava até recibo."

Segundo Vedoin, em troca das emendas, Bengston teria embolsado R$ 35 mil e recebido outros R$ 39 mil para construir uma igreja. "O Luiz Antônio doou o dinheiro porque gostou do trabalho da igreja", diz Bengston. "Não foi comissão." De acordo com Vedoin, em 2005 o deputado José Divino (PMDB-RJ), pastor da Universal, destinou R$ 240 mil à compra de ambulâncias para o Serviço de Assistência Social ao Evangelho, no Rio de Janeiro. "José Divino recebeu 24 mil e o reverendo Isaías, responsável pela entidade, R$ 12 mil", afirma Vedoin. Procurada por ÉPOCA, a assessoria de Divino disse que o deputado estava em viagem. O reverendo disse que não recebeu nada e que "as acusações são para macular a imagem do Zé Divino e da bancada evangélica".

Os investigadores afirmam que a explicação para o envolvimento de tantos parlamentares evangélicos é a origem do esquema. Ele teria começado com Lino Rossi, da Igreja Batista. A primeira operação teria sido com uma emenda do deputado Nilton Capixaba, da Assembléia de Deus. O núcleo inicial seria formado por políticos da Universal. 

Pastores entre as sanguessugas
Dos 60 deputados da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso, 28 estão entre os investigados pela CPI

 



Fotos: Jornal Varzea Grandense e Dida Sampaio/AE

Postado por Marcos Linhares em 04/02/12 às 07:07.
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04/02/12 - Sábado
Economia
Folha de São Paulo - Um mar de oportunidades

23 de janeiro de 2012

Vale do Silício brasileiro' mira os EUA




Polo Porto Digital, no Recife Antigo em Pernambuco
HELTON SIMÕES GOMES

Porto Digital expandirá operações para o Silicon Valley original, na Califórnia, em busca de financiamento e novos parceiros

Com 200 empresas reunidas no Recife, polo de inovação vai ter também escritórios em São Paulo e Suape (PE)

Uma máxima no Vale do Silício diz que um investidor só coloca dinheiro em empresas a que pode ir de carro em 40 minutos. Localizado no bairro histórico do Recife Antigo, na capital pernambucana, o Porto Digital (PD) levou a ideia a sério e vai fincar bandeira no polo tecnológico da Califórnia, nos EUA, no segundo semestre deste ano.

A ideia dos gestores do PD é expandir as atividades para dar vazão ao crescimento do centro de inovação e captar fundos para financiá-lo.

Criado em 2000, o Porto Digital chega a 2012 com 200 empresas, entre desenvolvedoras de software e prestadoras de serviços tecnológicos. Reúne gigantes globais, como IBM e Microsoft, e brasileiras, como a fabricante de sistemas para bancos BRQ. O faturamento somado delas foi de R$ 1 bilhão em 2010.

Em 2011, no chamado "Vale do Brasilício", os investimentos cresceram 5,6 vezes. "Quem trabalha nessa área é condenado a crescer", diz à FolhaFrancisco Saboya, presidente do polo tecnológico.

COOPERAÇÃO

Saboya explica que o plano de ação para o Vale do Silício ainda é embrionário. Fechados, só os objetivos e R$ 500 mil para custear a operação. "Queremos ir para poder acessar aquela 'Floresta Amazônica' de capital de risco."

Além de buscar financiamento, o foco é a cooperação entre empresas. Seja promovendo a ponte aérea Recife-Silício entre elas ou estabelecendo processos de "open innovation". Isto é, solucionando problemas comuns em regime de colaboração.

A estratégia prevê a implantação de um escritório na cidade de São Paulo, que está adiantada. "Vimos prédios na avenida Paulista e na Berrini", afirma Guilherme Calheiros, diretor de inovação.

A base paulistana será um entreposto para as empresas do PD e servirá para o polo manter contato direto com investidores de risco e diretores-executivos de empresas baseadas na capital paulista.

SUAPE

Além dessa operação, haverá outra em Suape, sul de Pernambuco, aproveitando o boom de investimentos no complexo industrial portuário. Com 64% do faturamento vindo de fora de seu Estado, o PD quer aumentar o contato com a indústria local.

Em Suape, segundo estimativa do próprio complexo, serão investidos cerca de US$ 19 bilhões até 2013. A quantia custeará obras de píeres, rodovias e um estaleiro, além da construção de refinarias e petroquímicas. Os escritórios funcionarão a partir de abril.

Em maio, o Porto Digital começará a expansão interna, focando negócios de economia criativa (games, multimídia, música, design etc).

A área recebeu o benefício de redução no ISS (Imposto Sobre Serviços) para 2%, concedido às empresas já instaladas no parque.

Com o Instituto Talento Brasil, ligado ao Grupo Jereissati, criará uma aceleradora de negócios que deve investir US$ 50 mil em empresas com ideias inovadoras.

As "startups" que receberem aporte de capital vão para a Incubamídia, a terceira incubadora do PD, outra novidade. Ela será voltada para a economia criativa. O parque também criará o Fundo de Capital Semente, para financiar negócios. O polo já conta com o fundo privado Ikeway.

Postado por Marcos Linhares em 04/02/12 às 07:02.
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04/02/12 - Sábado
Saúde
Da SuperInteressante - Por que ingerir sal?

O cloreto de sódio, noso bom e velho sal de cozinha, é um dos mais preciosos alimentos que se tem conhecimento. Nossas células precisam dele o tempo todo, uma vez que o sódio é um importante controlador de substâncias que entram e que saem de dentro delas.

Publicado em Junho de 2003 - Por Mariana Sgarioni

Para os químicos, sal é o nome dado a uma série de substâncias resultantes da reação de um ácido com uma base - encontro que, fatalmente, também gera água. Mas, na cozinha, o que se conhece simplesmente por sal é um desses sais: o cloreto de sódio. Trata-se de uma substância sem a qual ninguém consegue viver, tão essencial que já foi usada até como dinheiro na antigüidade

Por que precisamos ingerir sal?

O cloreto de sódio, noso bom e velho sal de cozinha, é um dos mais preciosos alimentos que se tem conhecimento. Nossas células precisam dele o tempo todo, uma vez que o sódio é um importante controlador de substâncias que entram e que saem de dentro delas. Ingerindo de 6 a 8 gramas de cloreto de sódio por dia - isso dá um pouco mais que duas pitadas - conseguimos manter o equilíbrio do corpo, isto é, um balanço ideal dos nutrientes e de água dentro das células. Na quantidade adequada, o sal aumenta os movimentos peristálticos dos intestinos, contribuindo para uma boa digestão, facilita a produção de energia, auxilia o funcionamento renal, além de ser muito importante para quem pratica mais de uma hora de exercícios físicos, pois ajuda a repor o sódio perdido com o suor. Se alguém tentar uma dieta que exclua totalmente o sal corre o risco de ficar enrugado como uma uva passa.

Sem o sódio, seu controlador de água celular, o organismo não conseguiria reter líquidos e as células perderiam seu volume normal. Já o excesso de sal é bem perigoso, pois ele suga a água das células, retém excessiva quantidade de líquidos no organismo, o que força demais os vasos sangüíneos, podendo levar a um aumento da pressão arterial. Enquanto uma pequena quantidade de sal promove a função renal, o excesso afeta os rins e interfere no metabolismo de absorção de cálcio e de nutrientes em geral. "O problema é que nosso paladar exige cerca de dez vezes mais sal do que deveria", diz Graziela Friedler, nutricionista e doutouranda no Laboratório de Metabolismo da Universidade de São Paulo (USP).

O sal é necessário para manter o equilíbrio de líquidos dentro das células

Por que as carnes salgadas são difíceis de estragar?

O que faz a comida cozida estragar é a proliferação de microorganismos como bactérias e leveduras. Nos alimentos crus, as enzimas do próprio alimento se encarregam de fazer a decomposição. O sal é usado como conservante porque inibe a ação de enzimas degradativas, sejam elas do alimento ou dos microorganismos. Fora isso, ele faz com que a água das células animais saia até que a concentração em sal seja a mesma no interior e no exterior das células. Um ambiente seco, sem água, e encharcado de sal não é nada propício para agentes decompositores. "Afinal, como nós, eles também precisam de água para sobreviver", explica Jaime Amaya Farfan, professor titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp). É bom lembrar que a salga pode perder seu poder conservante se não for feita em altas concentrações de sal, permitindo que a carne seja contaminada por bactérias halófilas - aquelas que vivem em ambiente salgado e com pouca água.

Esse processo de conservação é usado em algumas carnes desde a Idade Média. O bacalhau, por exemplo, depois de salgado, era transportado, na Europa, em cima de mulas. Hoje em dia, só o transporte mudou - a conservação continua a mesma, pois a carne do bacalhau tem uma textura bem peculiar que, depois de reidratada, fica muito parecida com o que era antes.

O bacalhau salgado e seco é um ambiente hostil para a sobrevivência de bactérias

Por que azeitonas são curadas em sal?

Ao serem colhidas, as azeitonas têm um sabor amargo insuportável causado pela oleoropeína, um composto orgânico presente em sua polpa. Para ficarem gostosas e rechonchudas, elas são deixadas por alguns meses de molho em salmoura (solução salina), renovada regularmente. Em uma temperatura de 25ºC a 28ºC, começa a fermentação láctica, que decompõe os açúcares da fruta e origina ácido láctico. O ácido produzido provoca uma descida do pH, o que proporciona um ambiente ideal para conservação longa. "A salmoura e o ácido láctico fazem com que a oleoropeína se dilua e o amargor seja bem reduzido", diz o engenheiro de alimentos Nelson Sakazapki. E azeitonas só são comestíveis depois de serem tratadas com uma solução salina

Por que jogamos sal no balde de gelo da cervejinha?

O sal altera as temperaturas em que a água muda de estado físico. No caso do gelo da cerveja, adição de sal faz com que a água necessite de mais energia para passar do estado sólido para o líquido, perdendo mais calor. O resultado prático é uma cerveja mais gelada do que outra que estivesse mergulhada em gelo puro. "O sal é usado porque está sempre à mão em uma mesa de bar. Mas pode ser substituído por qualquer outro pó solúvel em água, como o açúcar, por exemplo", explica Maria Eunice Ribeiro Marcondes, professora do Instituto de Química da USP. O mesmo fenômeno ocorre quando se põe água salgada para ferver. Aí a água também vai necessitar de mais calor para deixar de ser um líquido e passar a ser um gás. Só que, neste caso, o calor extra é puxado da chama do fogão e a temperatura de ebulição se eleva. Quanto mais sal na água, maiores serão as variações de temperatura em ambos os casos.

Quando se coloca sal no gelo do balde da cerveja, a temperatura cai e a loira fica ainda mais gelada

Faz diferença ingerir sal grosso? E sal marinho?

O sal que você compra no supermercado é sempre cloreto de sódio, não importa a denominação que vem escrita no pacote. Os sais refinados, depois de extraídos das salinas, passam por uma lavagem, são moídos, centrifugados e novamente secos em altas temperaturas. Em seguida, são peneirados para extrair impurezas e recebem algum tipo de antiumectante (para deixá-los bem soltinhos), além de uma dose de iodato de potássio, exigido pela legislação brasileira para prevenir o bócio, uma doença na tireóide. O sal grosso também é refinado, só que seu processo de recristalização é mais lento e gera cristais grandes. Na hora de comer, a diferença essencial está nas sensações geradas por pedaços maiores ou menores. Portanto, usar sal grosso em pratos em que os cristais são dissolvidos em água não faz muito sentido. O sal pode ser obtido de duas formas: por meio da evaporação da água do mar e pela exploração de depósitos no subsolo.

O nome "sal marinho" nem sempre quer dizer somente que ele saiu do mar, mas também que não passou por nenhum procedimento de refinação - apenas a adição de iodo. Do sal marinho é retirada a "flor de sal", vendida a preços estratosféricos. Trata-se da primeira camada fina de cristais que se forma na superfície das salinas, que os chefs garantem ter um sabor inigualável.

É possível salvar uma sopa salgada demais? Batata adianta?

Eis uma questão que causa controvérsia entre os cientistas. Para o químico norte-americano Robert L. Wolke, autor do livro O que Einstein disse a seu cozinheiro, isso não passa de um mito. Wolke conduziu experiências controladas para verificar o fenômeno. Segundo ele, a batata absorve o sal, mas também absorve água - e a concentração salina da solução permanece inalterada. Já para a nutricionista Graziela Friedler, a batata puxa mais sódio que outras substâncias, alterando a salinidade da solução. Segundo ela, pode-se diminuir o sal de um caldo sem perder o sabor dos outros ingredientes. Ainda supondo que o truque funcione, um efeito parecido poderia ser obtido usando-se, no lugar de batata, mandioca ou mandioquinha. Agora, se você errou a mão no sal do feijão, esqueça, porque nada poderá salvar seu almoço. O feijão tem a mesma propriedade de absorção do tubérculo - por isso, deixe sempre para salgá-lo no final do preparo.

Por que algumas receitas pedem manteiga sem sal e... sal?

Pode parecer mais fácil usar manteiga salgada, afinal o sal já está lá mesmo. Mas isso é uma prática culinária um tanto arriscada. A questão é que a proporção de sal adicionada à manteiga varia de acordo com o fabricante: por isso, fica impossível determinar o quanto de manteiga salgada uma receita deve levar. Uma colherada a mais e pronto - lá se vai um prato salgado demais para a lata de lixo. Além disso, as propriedades conservantes do sal fazem com que alguns laticínios reservem para a manteiga salgada a sobra da produção, uma manteiga de qualidade um pouco inferior. Mas nada que impeça você de passar aquela manteiga em lata, salgadinha e deliciosa, num pão francês quentinho.

Na manteiga, o sal, às vezes, disfarça um produto inferior

Postado por Marcos Linhares em 04/02/12 às 06:33.
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31/01/12 - Terça-feira
Idiomas
Um pouco de inglês britânico

Inglês britânico

Brttish English:

 

Postado por Marcos Linhares em 31/01/12 às 15:25.
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31/01/12 - Terça-feira
Economia DF
Recordar é viver - EMS Pharma em Brasília

22/01/2011 - CORREIO BRAZILIENSE - DF

Acordo de R$ 150 milhões

Júlia Borba 

Governo do DF anuncia a chegada da EMS Pharma à capital para produzir antibióticos e hormônios voltados à exportação. A expectativa é de que sejam criados 300 empregos diretos e 500 indiretos

O Governo do Distrito Federal anunciou acordo no valor de R$ 150 milhões com a EMS Pharma, uma gigante do setor farmacêutico. Segundo o GDF, o investimento da empresa é para montar uma filial da fábrica, com foco na produção de antibióticos e hormônios para exportação. No país, há outras duas sedes do laboratório, nas cidades de São Bernardo do Campo e de Hortolândia, em São Paulo. A expectativa é de que a construção da sede em Brasília seja no Polo de Desenvolvimento Juscelino Kubitschek, embora o anuncio formal ainda não tenha sido feito. O local é o mesmo da União Química, também produtora de medicamentos.

A EMS Pharma não confirmou oficialmente o investimento. De acordo com a empresa, o projeto ainda está em fase embrionária. O GDF espera que a instalação da empresa crie 300 empregos diretos e 500 indiretos. Para o secretário de Ciência e Tecnologia, Gastão Ramos, que esteve reunido com representantes da EMS Pharma nesta semana, os benefícios da vinda desta indústria vão além da criação de empregos. "Há um profundo envolvimento dos laboratórios com a área de pesquisas. Portanto podemos esperar novos investimentos no setor, nas escolas e nas universidades. Além disso, um percentual do faturamento será aplicado em projetos de capacitação de pessoas, no desenvolvimento e na inovação", acredita.

O economista da Universidade de Brasília (UnB) Jorge Nogueira faz ressalvas. Segundo ele, a vinda da fábrica para o Distrito Federal só trará impactos positivos se também houver, por parte do governo, outros estímulos direcionados aos setores que as abastecem. "Tem de haver uma política para aumentar os elos desta produção. Ou seja, facilitar a vinda de fornecedores de insumos e a criação de novas farmácias, por exemplo. Se não houver um planejamento que estimule essa cadeia, antes e depois da produção, os efeitos do investimento no DF serão pequenos", diz.

Além disso, o especialista afirma que a intenção inicial da EMS Pharma de produzir e exportar também dificulta a expansão do mercado. "Corremos o risco de ter no DF uma empresa que mande toda a produção para o exterior sem olhar para o mercado local. Nesse sentido, outras empresas que poderiam se interessar em acompanhar o movimento podem preferir se instalar em outros estados, que tenham mais incentivos, como Goiás".

Em nota, o governador Agnelo Queiroz atribuiu a vinda da fábrica ao aumento de credibilidade trazido pela própria gestão. "As empresas vão saber que aqui não serão mantidas aquelas velhas práticas que abalaram a nossa capital. Aqui, será um local bom para se investir, o que gerará benefícios para a nossa economia local." Os incentivos oferecidos para que a nova empresa se instale na capital não foram divulgados pelo GDF.

Concorrência
Localizada a 160km de Brasília, Anápolis (GO) abriga o maior polo farmoquímico do Brasil. Na região foi criado um Distrito Agroindustrial na década de 70. Os investimentos em infraestrutura e a política de incentivo fiscal motivaram empresas de outros setores a levarem suas fábricas para a região. Hoje, os terrenos são subsidiados e uma fábrica que ocupe 300 mil metros quadrados paga apenas um quinto do valor pelo terreno. A maioria das taxas municipais também é suspensa por até 5 anos. Além disso, o ICMS cobrado é de apenas 30% do total. Existem nesse distrito mais de 100 empresas que não trabalham apenas com fármacos. Há produção de barcos, fraldas descartáveis, ração animal, embalagens, entre outros.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Mozar Soares Filho, conta que há duas rodovias federais e duas linhas férreas para escoar a produção, além de um porto seco. "Nós já sofremos com falta de área para instalação de novas fábricas no distrito. Temos interesse em ampliá-lo. Além disso, estamos aguardando melhorias para o aeroporto de Anápolis, assim daremos vazão ao que é produzido aqui." Segundo ele, a instalação das empresas na região criou 12 mil empregos diretos, ampliou o mercado de alimentação, refrigeração e a construção civil. "Nós hoje somos uma ameaça para outros estados e é por isso que se reclama tanto sobre os incentivos que damos às empresas", diz.

Postado por Marcos Linhares em 31/01/12 às 09:43.
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27/01/12 - Sexta-feira
Exemplo
Um belo exemplo - o TeleLibras

Publicado em Época - 7 de junho de 2010 - pág. 104

Um mundo para todo mundo

É assim o universo ideal da fonoaudióloga Cláudia Cotes, criadora do TeleLibras, o primeiro telejornal da internet brasileira para deficientes

Aline Ribeiro

Fernando Donasci
EQUIPE AFIADA
Cláudia, de joelhos, durante uma gravação do TeleLibras, em São Paulo. O cadeirante dá a notícia. O intérprete traduz para a língua de sinais. O jornalista surdo copia os gestos


  Reprodução

Cláudia Cotes quase não se cala. Fala alto. Apressado. Quer ser escutada. “Sacou que a gente veio ao mundo para isto?”, ela diz, dedos das mãos em V, o sinal de “paz e amor”. Cláudia não é hippie. Tampouco adolescente. Fonoaudióloga de 42 anos, mestre e doutora em linguística e mídia, ela ensina jornalistas de TV a se portar diante das câmeras. Desenvolve a dicção dos repórteres. Imprime emoção no noticiário. Mas sua missão de vida – o que ela diz dar sentido a sua presença na Terra – é outra. O sonho de Cláudia é ajudar a construir “um mundo para todo mundo”. Um lugar que inclua surdos, cegos, pessoas com deficiências intelectual ou física: “Manja assim?”.

Mãe de dois filhos, essa paulistana inquieta é a criadora do TeleLibras, o primeiro jornal brasileiro da internet traduzido para todos os públicos. Um programa informativo como outros, mas cujo compromisso vai além da notícia. É feito por (e para) deficientes. Tem audiodescrição e interpretação em Libras, linguagem de sinais usada por deficientes auditivos. Funciona assim: se o telespectador tem dificuldades para enxergar, pode imaginar a cena ao ouvir um relato detalhado do que está acontecendo no ambiente. Se não escuta, pode assistir pela linguagem de sinais. E nada daquelas janelinhas no canto inferior da TV com uma pessoa dentro. O apresentador surdo fica ao lado – e no mesmo plano – do que fala e ouve. Em tela cheia. Durante a gravação, o jornalista deficiente dá a notícia. Atrás da câmera, o intérprete traduz para a língua de sinais. Só então o repórter surdo copia os gestos. “Agora a gente não precisa mais pegar uma lupa para entender o que o intérprete diz”, afirma Paullo Vieira, um dos apresentadores do TeleLibras.

Vieira nasceu no silêncio. A mãe teve rubéola na gestação e a doença prejudicou seus ouvidos. O garoto cresceu em uma família convencional, despreparada para receber uma criança diferente. Até que ele conheceu a língua de Libras – e teve seu mundo ampliado. Aos 39 anos, Vieira tem uma agenda cheia. Trabalha, estuda, namora, é líder de movimentos de surdos e pai de um menino (que escuta normalmente). Vez ou outra, é reconhecido em eventos como apresentador do TeleLibras. “A gente ajuda a disseminar o conhecimento da língua de sinais e faz com que as pessoas aprendam assistindo”, diz ele, com ajuda do intérprete. “Isso reduz o preconceito.”

No Brasil, existem hoje cerca de 6 milhões de surdos e 5 milhões de cegos. São 11 milhões de pessoas praticamente excluídas dos sistemas de informação. “A mídia é cega, surda, muda e cadeirante”, afirma Cláudia. Daí o desafio do TeleLibras: quebrar as barreiras da comunicação. A ideia surgiu por acaso. Certa vez, ela soube por uma amiga surda que os deficientes auditivos não compreendem o noticiário da TV. O exemplo escolhido foi comovente. Um dia depois do ataque do 11 de setembro, um grupo de surdos teria chegado à escola e perguntado ao professor o que eram aquelas torres atingidas por aviões. “Meu, eu fiquei indignada. Precisava fazer alguma coisa por aquelas pessoas”, diz. Muitas delas são alfabetizadas na língua de Libras, cuja estrutura gramatical é simplificada e um tanto carente de palavras. A frase “Eu vou até sua casa”, para eles, transforma-se em “Casa vou”. Assim, acompanhar a legenda de filmes ou mesmo o closed caption (as legendas destinadas a deficientes auditivos da televisão) é difícil.

O convívio com a diversidade chegou cedo para Cláudia. Aos 2 anos, ela ganhou um irmão especial. Àquela época, pouco se falava em inclusão. Deficiência era tabu. Tanto era que seus pais não souberam de imediato que tinham um filho com síndrome de Down. O médico não contou. A descoberta aconteceu meses depois, porque o corpo da criança era molinho. “Aprendi a brincar diferente”, diz. E aprendeu muito mais. Acompanhou de perto o sofrimento da família, uma luta diária contra o preconceito. “As pessoas olhavam com cara feia para a gente. Como se fôssemos culpados.” Por recomendação da escola, o garoto foi morar num internato especializado em deficientes. Cláudia não conseguia compreender por que o mundo do irmão e o dela não eram o mesmo.

Adulta, virou escritora infantil. Sem planejar. Sua filha de 6 anos ia ser apresentada à filha surda de um amigo e Cláudia pensou em como explicar a ela a dificuldade da menina. Nasceu a ideia de sua primeira publicação. A personagem do livro, uma garotinha surda, vem ao mundo para ensinar aos amigos como pode ser bonito o som do silêncio. Cláudia lançou seus trabalhos em formatos diversos: impresso, com audiodescrição e em Braille. Falou sobre câncer, aids, surdez e outras deficiências. O universo do irmão, sem querer, acabou virando o dela. “Ele morreu no dia internacional dos deficientes, com 34 anos”, diz Cláudia. “Senti que tinha um compromisso com essas pessoas.”

Assim nasceu a Vez da Voz, uma ONG que, entre outros projetos, promove o TeleLibras. O jornal é feito por 23 profissionais, entre deficientes (cadeirantes, surdos, cegos, com síndrome de Down) e não deficientes. Todos os programas estão disponíveis para download de graça no sitewww.vezdavoz.com.br. O primeiro foi ao ar em 2006. Desde então, foram mais de 200. No início, eram feitos de forma amadora. Cláudia chegou a usar os lucros dos direitos autorais de seus livros para deixar o jornal mais profissional. Transformou seu consultório em estúdio de TV. Gastou R$ 22 mil em uma filmadora e um teleprompter, equipamento acoplado às câmeras que exibe o texto lido pelo apresentador de telejornal. Nem mesmo o quarto do filho escapou. Ela pintou uma das paredes para improvisar, em casa, uma sala de gravação. Tanta dedicação fez seu casamento balançar, sem cair.

Hoje, mais e mais surdos se informam pelo TeleLibras. “Sabe o que é um cara do interior da Bahia contar que vai até uma lan house só para ver o programa?”, diz. Quando o jornal foi ao ar, há quatro anos, o site tinha 3 mil acessos ao mês. Agora tem 25 mil. Sem contar a audiência dos outros portais que exibem os vídeos. Desde abril, os integrantes do TeleLibras – de apresentador a intérprete de sinais – recebem para trabalhar. O dinheiro vem da lei de isenção do ICMS. E o futuro promete mais. Cláudia está discutindo com uma emissora de rádio nacional a transmissão de sua programação pela internet, em linguagem de Libras. Questionada sobre como se imagina daqui alguns anos, Cláudia não economiza. “Quero ter uma televisão inclusiva na web”, ela diz. “Profissa, saca?”

  Reprodução

Postado por Marcos Linhares em 27/01/12 às 09:45.
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27/01/12 - Sexta-feira
Turismo
A magia de Maragogi- Diário de Natal

Publicado em Diário de Natal

Turismo
Edição de quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Fique um pouco mais
Maragogi, em Alagoas, é tradicionalmente um destino onde os turistas apenas passam o dia
Ataide de Almeida Jr.



 

  Entre duas grandes capitais brasileiras, Maceió (AL) e Recife (PE), existe um lugar em que os problemas das metrópoles podem ser facilmente esquecidos quando se observam as águas calmas e verdes do mar: Maragogi. O destino, que faz parte dos 185km da Costa dos Corais, é perfeito para deixar de lado as atribulações do dia a dia e curtir com todas as forças - ou não - a preguiça. Pacata, a cidadezinha vive da agricultura, da pesca e do turismo. E nesse último setor mora o grande desafio local: convencer o visitante a passar mais de um dia por lá. Hoje, cerca de 100 mil turistas vão a Maragogi apenas para o chamado day use. Já os que ficam pelo menos três dias na região somam "apenas" 30 mil, em média, durante a alta temporada. Se você quer se juntar à última turma, atividades não vão faltar para você curtir esse paraíso brasileiro.


Passeio de buggy pelos 22km de praias é uma das principais atrações Foto: Ataide de Almeida Jr./CB/D.A Press

O pecado da preguiça nunca pareceu tão fácil de cometer quanto em Maragogi. A cidade alagoana tem 22km de praias tranquilas e de uma beleza indescritível. A hospedagem em locais charmosos e aconchegantes - 18 pousadas, dois hotéis e dois resorts - contribui para a sensação de que o tempo vai demorar a passar. Outra atração são as piscinas naturais - e, consequentemente, parte da costa dos corais. A Praia do Burgalhau, a cerca de 3km do centro de Maragogi, é o local onde embarcam os turistas. O lugar tem boa infraestrutura, com piscinas, chuveiros, lojas de artesanato e um bar. Lá também é possível contratar serviços extras para aproveitar ainda mais o passeio, como um mergulho guiado de 20 minutos pelos corais.

Após a assinatura de um termo de ajuste de conduta entre os donos das embarcações que levam os turistas e a Associação do Trade Turístico de Maragogi e Japaratinga (Ahmaja), mergulhar nas piscinas naturais ficou mais agradável. Antes, elas recebiam mais de 2 mil pessoas por dia, que destruíam os corais, quando não arrancavam parte deles para levar como lembrança da viagem. Com o acordo, as visitas ficaram limitadas a 600 pessoas por dia. Há uma área demarcada em que as embarcações devem parar para não destruir os corais, e o consumo de alimentos está proibido dentro do mar.

Horários

Nos resorts e pousadas, há sempre indicações sobre os horários em que as marés estão mais baixas e torna-se possível aproveitar os passeios. Os catamarãs cobram, em média, R$ 60 para levar até as piscinas e ficam por lá por no máximo duas horas. Esses barcos também alugam máscaras de mergulho e possuem bebidas a bordo para os turistas. Se a proposta for um passeio mais privativo, o aluguel de lancha sai a R$ 500 para seis pessoas. A embarcação fica à disposição do cliente e pode ser usada para conhecer todo o litoral da cidade.

A grande atração fica por conta do mergulho guiado. Antes de se aventurarem no passeio submerso, os mergulhadores fazem um teste de adequação do turista para o uso do tubo de oxigênio. Se estiver tudo bem, um profissional acompanha o visitante e pede para que ele não toque em nada, apenas aproveite a volta. Já embaixo d'água, é possível chegar bem perto dasformações rochosas e observar a vida marinha. A empresa cobra R$ 60 pelo passeio. Com mais R$ 30 (preços sujeitos a alterações), o turista leva um CD com várias fotos subaquáticas.

Saiba mais

Como chegar

Maragogi fica quase à mesma distância dos aeroportos de Maceió (155km) e de Recife (125km). O visitante vai precisar alugar um carro ou contratar um serviço de traslado. Se for de carro, prefira a rodovia PE-60. Apesar de não permitir ver o litoral, a estrada está mais conservada. Por ser uma pista de mão dupla, o motorista pode enfrentar lentidão em alguns trechos por conta dos caminhões que transportam a cana-de-açúcar. Pelo caminho, tome cuidado ao passar pelas áreas de proteção ambiental. As placas que avisam sobre a presença de animais silvestres estão tampadas pela mata.

Buggy pelo litoral

Para percorrer os 22km do litoral de Maragogi, a melhor opção é contratar um dos buggies disponíveis próximos aos pontos de apoio, como o da Praia do Burgalhau. Por R$ 150, o bugueiro fica à disposição do visitante, que pode escolher onde quer parar para mergulhar e onde pretende comer.

Semana saborosa

Durante uma semana entre julho e agosto, Maragogi e Japaratinga promovem o Festival Gastronômico da Lagosta. No ano passado, 25 empresas das duas cidades participaram do evento, entre hotéis, pousadas e restaurantes. Em média, um prato para duas pessoas custa R$ 40, menos que a metade do preço praticado durante os outros meses. A Associação de Maragogi ainda não definiu a data para o início do festival em 2011, mas a expectativa é de aumentar o número de restaurantes e variar o cardápio para os participantes.

Bolo de goma

Conhecidos como sequilhos em algumas regiões do país, os bolos de goma fazem parte da cultura gastronômica de Alagoas. Barraquinhas nos acostamentos das estradas e lojas dentro da cidade de Maragogi vendem os biscoitos. Os mais famosos são os feitos por Marlene Lima Santos, ou simplesmente Tia Marlene. Ela vive no Povoado de São Bento, a 3km do centro de Maragogi. Os ingredientes básicos são polvilho, açúcar e amido de milho. O pacote com 500g sai por R$ 6.

Maravilhas saborosas para agradecer

Com uma economia voltada para a pesca e a agricultura com base no cultivo da banana - além da cana de açúcar -, Maragogi oferece combinações divinas na culinária. Além dos mariscos, das lagostas e dos camarões, é possível encontrar purê de banana, cocada de forno, peixe com molho de frutas da estação, bolo de rolo e o tradicional bolo de goma, um biscoito feito com polvilho, conhecido como sequilho em algumas regiões do país.

Logo na entrada da cidade, para o turista que chega a Maragogi vindo de Recife, a placa "Não olhe para a esquerda" alerta os motoristas. O aviso, claro, é uma piadinha. Imediatamente, todos viram-se para o local proibido e dão de cara com o Mara Restaurante. Do lado de fora, parece apenas mais um lugar simples, como os tantos que se veem na estrada. Mas, quando se experimenta o tempero da carioca Maranei Cardoso, dona da casa, o que era simples passa a ser divino. 

Mara já havia visitado a cidadezinha alagoana em outras ocasiões. Gostou tanto do lugar que decidiu mudar-se para a cidade edeixar o Rio de Janeiro. Com habilidades natas na cozinha, abriu um restaurante que é sucesso de público, tanto pela campanha de marketing diferente na beira da estrada, quanto pela saborosa comida. A sugestão é não pedir entrada, para que não bata depois o arrependimento de não comer tudo dos pratos principais. Uma das combinações mais pedidas é o arroz com castanhas e o robalo ao molho de laranja. Nada impede que o visitante prove também o risoto de polvo, o purê de banana e o risoto de frutos do mar . Os preços dos pratos variam de R$ 25 a R$ 100, e as porções servem com folga três pessoas.

É possível encontrar boa gastronomia também perto do litoral. Em Japaratinga, a 9km de Maragogi, a Companhia da Lagosta apresenta uma das mais belas vistas da costa alagoana. De frente para a praia do Boqueirão, o visitante pode saborear a lagosta à moda da casa, temperada com sal e limão, acompanhada de um molho levemente apimentado, que realça o sabor do crustáceo. 

Postado por Marcos Linhares em 27/01/12 às 09:12.
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26/01/12 - Quinta-feira
Sociedade
Deu na Época - História de cinema - O talentoso Fábio

 

11/11/2004 - 17:34 | EDIÇÃO Nº 339 

CRIME

O talentoso Fábio

A fantástica história do brasileiro que assassinou um herdeiro inglês e assumiu sua identidade

LUCIANA DUTRA, DE LONDRES, E SOLANGE AZEVEDO



 

Marcela Haddad/ÉPOCA
CENA DO CRIME 
Fábio invadiu a mansão de 19 quartos, em Londres, onde Goodman morava

O anúncio da condenação à prisão perpétua, no dia 5 de novembro, pôs fim a uma espetacular saga de fraude e assassinato. O protagonista do caso é José Fábio dos Santos Leite, um imigrante brasileiro que se apoderou da identidade de um inglês e, durante meses, tomou seu lugar. Fábio levou vida de rico gastando o dinheiro do morto (pelo menos 10 mil libras, ou R$ 52 mil, em cartões de crédito).

No ano passado, o brasileiro ocupou a mansão de John Goodman, em Ealing, oeste de Londres, matou o dono e o enterrou sob o assoalho do porão. Com os documentos e o dinheiro da vítima, investiu na reforma da casa e numa vida extravagante. Conseguiu ludibriar a eficiente Scotland Yard por mais de um ano. O caso chamou a atenção da imprensa local, que comparou a história ao livro O Talentoso Ripley, de Patricia Highsmith, no qual o protagonista mata um milionário e assume sua identidade.

Fábio, de 26 anos, é filho de um pedreiro e uma agente comunitária. Nasceu em Antas, cidadezinha no interior da Bahia, mas foi criado em Salvador, numa casa simples e inacabada da periferia. Em 1999, namorou uma turista inglesa e ganhou dela uma passagem para a Grã-Bretanha. Estabeleceu-se por lá, mesmo sem saber uma palavra de inglês. Os dois, morando em Manchester, tiveram um filho, mas em seguida se separaram. Fábio mudou-se para Londres com um amigo. Como outros imigrantes ilegais, vivia de bico. Em 2002, já com inglês fluente, trabalhou como cozinheiro em um pub da região. Nos últimos tempos, havia se tornado um squatter (sem-teto que invade propriedades abandonadas). 

Fábio gastou cerca de R$ 52 mil com o cartão de crédito da vítima

No dia 7 de abril de 2003, Fábio invadiu a mansão no número 21 da Mattock Lane, em Ealing. O proprietário, John Goodman, de 52 anos, estava viajando. Era motorista de uma empresa de transportes e lutava contra um câncer de intestino. Nos anos 70, havia recebido a propriedade de 19 quartos como doação do antigo proprietário, Frank Kelly - que, segundo os vizinhos, tinha um relacionamento homossexual com ele. De volta a Londres, no dia seguinte, Goodman fez uma pequena compra no supermercado Iceland, a dez minutos de onde morava. Às 17h24, pagou a conta. Foi a última vez em que foi visto com vida. O que aconteceu nas duas horas seguintes ainda é um mistério. Em sua confissão, o brasileiro deu versões diferentes. A teoria da polícia é que os dois lutaram. Fábio teria quebrado duas costelas de Goodman e o amordaçado. O inglês, já debilitado pela doença, morreu asfixiado. A polícia registrou uma ligação telefônica feita da mansão, às 19h05. A pessoa do outro lado da linha ouviu de Fábio um comunicado: ''Eu tenho uma nova casa''. O brasileiro começou a usar os cartões de crédito de Goodman naquela noite, segundo o investigador Simon Welch. Na manhã seguinte, comprou um novo celular por telefone, utilizando os documentos do morto. Ficou na mansão por mais cerca de quatro meses, gastando no cartão. Entre as despesas, estão noitadas em clubes e bares. Também há registros da compra de ferramentas para uma reforma. ''Ele definitivamente não estava se escondendo'', afirma o engenheiro eletrônico Nigel Worsley, morador do bairro. Ele viu Fábio e uma de suas namoradas, várias vezes, ocupados com a reforma da casa. 
#Q:O talentoso Fábio - continuação:#

Divulgação
INSPIRAÇÃO? 
Matt Damon viveu o assassino no filmeO Talentoso Ripley

Três meses depois, preocupados com o desaparecimento de Goodman, os moradores da Mattock Lane avisaram a polícia local. Em agosto os policiais visitaram a casa. Foram atendidos pelo brasileiro, que alegou ter comprado o subsolo de Goodman por 75 mil libras (R$ 390 mil). ''Depois do crime, ele usou vários nomes falsos'', explica o agente da Interpol Rodrigo Kolbe, que levantou informações sobre o rapaz no Brasil e descobriu sua verdadeira identidade.

Em 26 de agosto do ano passado, Fábio foi preso na casa de uma namorada, acusado de fraude. Só revelou onde o corpo foi enterrado após ser condenado por homicídio, um ano e meio depois do crime. Terra e entulho cobriam a cova rasa sob o assoalho, que resistiu à inspeção dos cães farejadores da Scotland Yard e às buscas dos policiais - eles chegaram a drenar um pequeno lago nos fundos da casa, em busca do cadáver. A polícia investiga a participação de duas outras pessoas no crime. Depois de detido, Fábio chegou a inventar que possuía um irmão gêmeo - ''o verdadeiro responsável pelos crimes'' - e que fazia parte do Comando Vermelho. As histórias foram desmentidas pelas investigações.

A pena mínima em regime fechado para Fábio é de 17 anos e deverá ser cumprida no Reino Unido. A defesa tem 28 dias para entrar com apelação. No Brasil, a família escondeu dos vizinhos a prisão, pois até o julgamento achava que o rapaz era inocente. Só agora, depois da sentença, a informação vazou. ''Quando comuniquei a mãe de Fábio sobre a condenação, ela ficou em choque. Acha que tudo isso é um pesadelo'', diz o agente Kolbe. 

Marcela Haddad/ÉPOCA
PUBS 
Antes do crime, fábio foi um cozinheiro responsável no Ashby´s (à esq.), mas brigou com um policial em frente ao Finnegan´s Wake

#Q:Como aconteceu o crime:#
ROTEIRO REAL
A cronologia do crime, segundo a polícia e a 
promotoria inglesas

2003

7 de abril - O brasileiro José Fábio dos Santos Leite invade a casa de John Goodman em Londres, enquanto o motorista está fora da cidade. 

8 de abril - Entre 17 e 19 horas, Goodman volta para casa. Fábio chega depois. Os dois lutam e o inglês é assassinado. 

16 de julho - Vizinhos avisam a polícia sobre o desaparecimento de Goodman e a presença suspeita do brasileiro na casa. 

12 de agosto - A polícia vai até o local. É atendida por Fábio, que alega ter comprado o subsolo do imóvel. 

26 de agosto - Fábio é preso, acusado de fraude. 

16 de dezembro - Fábio é acusado de homicídio.

2004

8 de outubro - O brasileiro é condenado por homicídio. 

11 de outubro - Em sua primeira confissão, Fábio revela onde o corpo está escondido e fala da participação de mais dois homens no crime. 

15 de outubro - O corpo em decomposição é encontrado sob o assoalho da casa. 

20 de outubro - O corpo é identificado como de John Goodman. 

25 e 26 de outubro - Ele dá outras versões para o crime e diz que estava sozinho no dia da morte de Goodman. 

5 de novembro - O brasileiro é sentenciado à prisão perpétua. O juiz determina pena mínima de 17 anos em regime fechado.


Postado por Marcos Linhares em 26/01/12 às 23:23.
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26/01/12 - Quinta-feira
Sociedade
Recordar é viver- os esquecidos da Terra do Meio

O Povo do Meio

 

Esses brasileiros não votam, são analfabetos e oficialmente não existem. 
À margem do país, estão jurados de morte

Raimundo Nonato da Silva não sabe quem é Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os dois Silvas, o presidente do Brasil e o brasileiro sem presidente, há um vasto mundo no qual se chamar Raimundo nem é rima nem é solução. Ele vive num país desconhecido pelo próprio Brasil, onde a maioria dos homens atende por Raimundo. Sua república fica no coração da Amazônia e pertence a uma região cujo nome parece ter saído do universo mitológico de J.R.R.Tolkien em O Senhor dos Anéis: Terra do Meio. É um país invisível porque 99% dos habitantes não têm documentos. Oficialmente, os Raimundos e Raimundas não existem. Mas estão lá, insistem em existir, rasos de letras mas gordos de paradoxos.  São analfabetos ou, como eles

 


Família de Raimundo Delmiro

dizem, ''cegos''. Nunca votaram porque fantasmas só se tornam eleitores em currais de fins de mundo. E eles vivem um pouco mais além do fim do mundo. Esse povo pode ser exterminado antes que o país oficial se aperceba dele. Como a floresta em que vive, está ameaçado de extinção.

Descendentes de soldados da borracha, nordestinos levados para os confins da selva pelo governo de Getúlio Vargas durante a Segunda Guerra Mundial, por lá ficaram e multiplicaram-se formando uma só família com menos de 200 pessoas dispostas numa intrincada teia de parentescos. Vivem como os índios viviam antes de terem contato com a civilização. Caçadores e coletores, comem o que a floresta lhes dá. E ela lhes dá muito. Castanha no inverno, caça, pesca e óleo das árvores de copaíba e andiroba o ano todo.  

Assim seguiriam com a vida no seu país sem moeda, não fosse terem sido descobertos pelos grileiros. Esses predadores da floresta são velhos conhecidos da Amazônia. Chegam empunhando armas e títulos de terra forjados. Apregoam-se donos de milhares, até milhões de hectares de floresta. O nome, ''grileiro'', surgiu pelo antigo artifício de confinar os títulos falsos numa caixa cheia de grilos: os insetos liberam uma substância que amarela e corrói o papel, dando-lhe uma aparência de velho. Como no tempo do Descobrimento, primeiro os grileiros ofereceram os espelhinhos: no caso, um punhado de reais. Depois, exibiram o cano de uma espingarda calibre 12 de repetição. Hoje, os Raimundos estão jurados de morte.

 

JURADOS DE MORTE 
Raimundo Delmiro (à esq.) e Herculano Porto são os líderes da comunidade. Marcados para morrer, eles lutam pela criação de uma reserva extrativista. Reeditam Chico Mendes, mas esperam não ter o mesmo fim.

O empreiteiro Cecílio do Rego Almeida disputa na Justiça uma área que pode chegar a 7 milhões de hectares - um território com o tamanho da Holanda e da Bélgica somadas. Se conseguir, obrigará todo o Povo do Meio a abandonar suas terras. ''Só me arrancam daqui com uma arma na cabeça'', esperneia Raimundo Delmiro, um dos líderes da comunidade, de 39 anos, nove filhos. Ele é um homem quieto, com a coragem de quem faz o que o caráter manda apesar do medo. ''Um dia eu voltei do mato e os homens de fora estavam na minha casa. Depois vieram outros e não pararam mais de chegar. Me ofereceram R$ 10 mil pela minha terra. Eu disse não. Eles começaram a cercar o meu lugar por todos os lados. Passam no rio em rabetas (canoas com motor) cheias de pistoleiros armados. São armas garantidas, de repetição, não como a minha espingarda de caça que tem 23 anos. Querem me botar medo. E conseguem. Sou um homem jurado de morte.'' 

Raimundo e sua família haviam acordado naquela manhã sem nada para comer. Cada um embrenhou-se num ponto cardeal da mata em busca de alimento. Antes do meio-dia, Fernando, de 13 anos, voltava com uma anta de quase 300 quilos e Francisco, de 14, trazia duas queixadas. ''A floresta é assim, rica de um tudo. Por isso tô marcado pra morrer, mas fico.


A parteira Doralice de Jesus com os ''filhos de pegação''

 

O PAÍS DOS RAIMUNDOS

Raimundo reedita a história de Chico Mendes, promovido a herói nacional depois de um assassinato anunciado que ninguém impediu. Seu mundo, porém, fica ainda mais longe. Com quase 8 milhões de hectares, a Terra do Meio transformou-se numa das derradeiras possibilidades de preservação da Amazônia. Encravada no Estado do Pará, tem esse nome porque fica entrincheirada entre os rios Xingu e Iriri. Cercada por territórios indígenas e florestas nacionais (Flonas), sua localização geográfica acabou protegendo-a por muito tempo da devastação: a oficial, representada pelas várias tentativas desastradas de ocupação da selva, especialmente pelos governos militares, e a privada, protagonizada por predadores disfarçados de empreendedores. Terra de ninguém, é reivindicada por muitos.

Nos anos 90, o assalto dos grileiros a suas fronteiras recrudesceu com a operação da máfia do mogno. Nos últimos meses, a notícia do asfaltamento da Transamazônica e da Cuiabá-Santarém multiplicou a pressão. A sudeste, em torno de São Félix do Xingu, a região já se transformou num faroeste. É de lá que vem boa parte dos flagrantes de trabalho escravo, extração ilegal de madeira e mortes por conflitos de terra que alimentam o noticiário nacional. Na fronteira nordeste, cuja porta é Altamira, a invasão ainda está em curso, em ritmo apressado. É a noroeste, à beira de um igarapé chamado Riozinho do Anfrísio, que vive a população de Raimundos - cada casa a horas de canoa de distância uma da outra. 

O nome vem de Anfrísio Nunes, um sergipano que, como outros tantos, recebeu autorização do governo para explorar os seringais da Amazônia. Seus descendentes também reivindicam a posse da terra. ''O Anfrísio levou mais de 200 famílias de arigós do Nordeste para cortar seringa no Riozinho'', conta sua enteada e nora, Vicencia Meirelles Nunes, de 74 anos. ''Naquele tempo os índios dizimavam famílias inteiras de arigós. O Anfrísio criou 18 órfãos de gente morta pelos caiapós e pelos araras.'' 

Os Raimundos são justamente os descendentes dos ''arigós''. Abandonados à própria sorte quando a borracha deixou de ser lucrativa, moldaram seu destino à revelia do Estado: sem escola, sem saúde, sem registro de nascimento. Não querem a posse da floresta, só querem viver nela. Sua concepção de mundo não inclui cercas. 

A TRAVESSIA DE HERCULANO 

Para mostrar ao Brasil que seu povo existe, um homem miúdo chamado Herculano Porto, de 60 anos, foi escolhido para empreender uma viagem à cidade de Altamira. Único chefe de família com documento, só ele estava apto a realizar a travessia. Tornou-se o presidente da comunidade. Depois de um dia remando na sua canoa, alcançou a boca do Riozinho do Anfrísio e, de lá, pegou um barco. No caminho, chegou a topar com uma onça que atravessava o rio. ''A gente achou que era um veado e botou o barco por cima.'' 

Em 7 de setembro, Herculano iniciou a viagem de volta. Havia cumprido sua missão: carregava duas bolas de futebol e um documento elaborado pela Comissão Pastoral da Terra em que a comunidade pedia ao governo federal a criação de uma reserva extrativista. Abaixo da reivindicação, seu povo teria de gravar os polegares para valer como assinatura. 

Mas entre Herculano e seu país acessível somente por água estendiam-se 328 quilômetros de rios. Sua saga só terminaria dias mais tarde, ao final de uma trama fluvial que conduz sempre para dentro. Depois do Xingu, o Iriri aprofunda-se na Terra do Meio sobre um labirinto de pedras. É preciso vencer meia dúzia de corredeiras, cada vez desembarcando e subindo a pé para depois içar o barco com cordas em meio à correnteza. Na empreitada, as mãos arrebentam até sangrar.

Homem alfabetizado na língua da água, Herculano não temia as armadilhas do rio. Só era assombrado pelos conselhos do proeiro, Benedito dos Santos, que em 62 anos de vida amazônica foi seringueiro, garimpeiro, cafetão, caçador de onça e jagunço. Não tem história contada por ele em que não morram uns dois ou três. ''Já botei muita gente pra fora de terra pros doutor nesta Amazônia. Tem mais facilidade tomar conta com agressão. Essa história já se repetiu tantas vezes e nunca vi posseiro ganhar. Sempre vai ter essa briga de terra no mundo'', ia desfiando rio afora. ''Homem, vende logo seu pedaço antes que lhe joguem fora.'' Herculano esboçava um sorriso falhado de dentes, mas farto de persistência.

 


Antonio da Conceição com mulher e filhos.

Até a boca de sua terra a jornada nos barcos de linha consome sete dias na estação da seca, se tudo correr bem. Muitas vezes, os passageiros são obrigados a acampar numa passagem mais difícil por semanas até conseguir vencê-la. Pelo caminho, homens como Herculano vão sondando o rio e a mata em busca da comida - em especial um tipo de quelônio chamado tracajá. Eles têm a selva por restaurante. Para ganhar tempo, só fazem uma refeição ao final do dia, depois que o sol se deita e as pedras do leito do rio tornam-se invisíveis e fatais. Pernoitam nas ilhas, atando a rede nas árvores. 

Nessas noites, o silêncio da selva é feito de ruídos. Herculano Porto conhece cada um deles pelo nome. Tem a floresta dentro da cabeça. Os animais não atacam. Como o ecossistema é equilibrado, há comida para todos e o homem é um predador que nem as onças desafiam sem um motivo forte. Os jacarés limitam-se a manter os amarelos olhos fosforescentes a uma distância regulamentar enquanto os passageiros se banham com a lua alta. O pior inimigo são as arraias, abundantes, que aplicam ferroadas fundas quando se tem o azar de pisar nelas. Às vezes, uma sucuri. Um dia depois que Herculano passou, uma delas matou um homem quando ele nadava. A cobra triturou todos os seus ossos. 

Enquanto Herculano singrava os rios de seu mundo primitivo, parte de sua terra era oferecida na internet por R$ 6 milhões pela imobiliária Sofazenda, de Varginha, em Minas Gerais. A oferta anunciava as maravilhas do Riozinho do Anfrísio: ''Dezenas de qualidades de madeiras de lei, em densas florestas, ricas em mogno…''. Assim como ''grande reserva de minério, cassiterita, ouro, diamante e outros''. Na quinta-feira, o corretor Aldamir Rennó Pinto explicou a ÉPOCA que a área foi tirada do catálogo ''porque estava enrolada''. Ofereceu outra, de 390 mil hectares, por R$ 27 milhões. ''Inclusive, a outra terra estava dentro dessa que estou lhe oferecendo. Ela pertence aos herdeiros do Anfrísio Nunes e já estou com os títulos, tudo certinho.''  

Analfabeto, Herculano enfrenta a golpes de dedão o universo da grilagem cibernética. Quando finalmente desembarcou em casa, descobriu que seu castanhal havia sido posto abaixo. Faltava apenas a derrubada das árvores maiores. E depois o fogo. Herculano, também marcado para morrer, havia cumprido sua missão. Mas, quando o documento com as digitais de seu povo alcançar o país oficial em Brasília, ninguém vai ter a dimensão do tamanho da odisséia.


Chico Preto e família.

 

A DISPUTA DAS ALMAS 

Até a chegada dos invasores, a Terra do Meio havia girado sem dinheiro. Os grileiros levaram moeda e cobiça. Foram penetrando pelas frestas das almas, dividindo para semear a discórdia. Francisco dos Santos, o homem que mais conhece o rio e suas manhas, foi o primeiro a ser assaltado por tentações. Chico Preto, como é chamado, vendeu-se por R$ 20 ao dia para botar e tirar peão e pistoleiro do interior do Riozinho do Anfrísio. ''Eu luto pela reserva, mas eles pagam em dia e aqui é difícil ganhar dinheiro de outro modo'', diz Chico. ''São pessoas alegres, prestativas, nem parece que matam gente.'' Seu enteado, mais um Raimundo, tornou-se o homem de confiança de um grileiro conhecido por Goiano, cujas atrocidades já viraram lenda. Opera na boca do rio

o rádio que denuncia a chegada de estranhos. ''É melhor vender a terra porque vão tomar de qualquer jeito. Aí botam a gente pra fora sem nada'', defende esse Raimundo dissidente.

Os grileiros aproveitam-se do abandono para oferecer o que o Estado não dá. ''Quero levar melhorias para aquele povo. Escola e posto de saúde. Já botei um carro à disposição deles'', disse a ÉPOCA Edmilson Teixeira Pires, de 51 anos, que reivindica a posse de algumas dezenas de quilômetros quadrados. Já riscou uma estrada a partir da Transamazônica, onde instalou mais de uma casa e dezenas de peões. Só não chegou ao rio porque encontrou no seu caminho Luiz Augusto Conrado, de 51 anos, conhecido como Manchinha por conta de uma mecha de cabelos brancos que ostenta desde bebê. ''Pode recuar. Na minha terra vocês não entram'', avisou. 

Manchinha conhece bem a caridade dos doutores. Antes de casar com Francineide, parteira do Riozinho do Anfrísio, foi escravo em fazendas no Pará por mais de dez anos. Depois virou garimpeiro em Serra Pelada. Viu de tudo, menos ouro o suficiente para mudar a sina. Sabe muito bem de que matéria é feita sua resistência: ''A floresta é o único lugar que tem fartura pra pobre. Os homens vão nos cercando e a gente precisa da castanha, da caça, da pesca. Vão nos matando porque encolhem a terra. Quando uma das estradas, das tantas que tão cortando por aí, chegar ao rio, acaba nós e o mato''.

 

GRILAGEM 
Edmilson Teixeira Pires é um dos que reivindicam a posse da terra. Placas como a que está acima multiplicam-se pelos castanhais do Povo do Meio.

AMEAÇADOS DE EXTINÇÃO 

Se os invasores vencerem essa que é uma das últimas guerras da Amazônia em que ainda é possível ganhar, com a selva desaparecem 346 espécies de árvores, 1.398 tipos de vertebrados, 530 qualidades de peixes. Boa parte dessas variedades são endógenas - ou seja, só existem na Terra do Meio. O mundo fica mais pobre em biodiversidade, que é o tipo de miséria irremediável. Mas, além da perda de milhares de espécies, o planeta fica também menos sortido de gente. O Povo do Meio está entre os últimos de sua estirpe, ceifada junto com a floresta. O isolamento - e o abandono - construiu nos confins do Brasil a extravagância de uma cultura sem imagem que ainda persiste no século XXI. 

É por isso que se tornou uma terra de Raimundos. Sem TV, eles nunca batizaram filhos de ''Maicon'' ou ''Dienifer'' nem ficaram sabendo que João e Maria viraram nomes chiques. São consagrados a São Raimundo Nonato, que, por ter sido extraído do útero da mãe morta, ao tornar-se santo virou protetor das parteiras. Todo o imaginário é costurado de ouvido. As cenas são formadas a partir de fragmentos da Rádio Nacional da Amazônia, o único contato com o Brasil. É assim, por exemplo, que reinventam as jogadas de futebol a partir dos lances escutados - e jamais vistos.  

Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho são ídolos sem rosto, cujas façanhas são reinterpretadas na cabeça de cada Raimundo. É no futebol que esses homens da floresta forjam seu RG de brasileiro. A identidade é a bola, trocada por 200 quilos de castanha no Regatão, espécie de shopping fluvial que passa meia dúzia de vezes por ano para o escambo da produção local pelos artigos da cidade.

Raimundo Nonato da Silva, o brasileiro que não sabe quem é Lula, tem um campo de futebol diante de sua casa de pau-a-pique coberta de babaçu. Nos domingos, seus meninos trocam a faquinha da seringa pela bola. É nesse cartório de chão batido que registram seu nascimento. ''Era bom saber o nome do presidente do Brasil por saber, mas diferença não faz'', diz.

Quem não conhece a sina de Raimundo poderia achar que ele é variado das idéias. Desde que nasceu, herdeiro de um soldado da borracha que caiu morto no seringal (''Meu pai se chamava Zuza, sobrenome Zé''), ele viveu uma vida sem Estado. Sabe apenas que para além do rio há um lugar chamado cidade, que ele imagina, enigmaticamente, como ''um tipo de movimento''. Para ele, tanto faz mesmo o nome do presidente. A idéia de país não pertence a seu imaginário. É o Brasil que precisa descobrir Raimundo, antes que seja tarde.

 


IDENTIDADE DE BRASILEIRO 
Sem TV, os pequenos seringueiros nunca viram Ronaldo jogar, mas imitam seus dribles entre as borboletas do rio que determina o curso de suas vidas.

 
 


PEQUENOS CAÇADORES
No mesmo dia, Fernando capturou uma anta, e Francisco duas queixadas. Garantiram alimento para a família por semanas. Na floresta, meninos desarmados viram caça.

 


VIDA DE FLORESTA 
Os homens só matam a onça quando ela chega perto das crianças. Sabem disso quando o cachorro amanhece morto. No caso da foto foi uma escolha entre o animal e o menino.

 


O CANOEIRO 
Antonio Pereira da Conceição faz as canoas da região, inclusive para os índios. Sozinho, ele derruba a árvore na floresta na lua nova e dela esculpe um barco. Parece saído de um quadro de Portinari.

 
 
 


BATISMO DE MULHER 
Aos 16 elas já são mães de família, aos 20 têm meia dúzia de filhos, aos 30 são avós. Nunca viram preservativo e acham que pílula anticoncepcional mata.

 


OS RAIMUNDOS 
Raimundo Nonato da Silva e sua família nunca ouviram falar de Lula. Sabem quem é Ronaldo, mas não conhecem seu rosto. O cachorro da foto se chama Vence Tudo.

 

 

Onde fica a Terra do Meio

Com quase 8 milhões de hectares, cabem duas Suíças* na área da Terra do Meio.

 

 

 

Fonte: Rev. Época, Eliane Brum (texto) e Maurilo Clareto (fotos), ed. n. 333, 30/9/2004.

  

Postado por Marcos Linhares em 26/01/12 às 23:14.
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26/01/12 - Quinta-feira
Opinião
Ótimo artigo do saudoso Moacir Scliar para fazer pensar: Um país em busca de leitores

Publicado no Le Monde Diplomatique - http://diplomatique.uol.com.br/artigo.php?id=758

01 de Agosto de 2010
LITERATURA
Um país em busca de leitores
O Brasil tem cerca de 190 milhões de habitantes, dos quais 95 milhões podem ser considerados leitores; mas eles leem, em média, 1,3 livro por ano. Não se trata de rejeição à leitura; uma enquete mostrou que 75% gostam de ler. Pergunta: por que, então, os brasileiros não leem mais?
por Moacyr Scliar

No começo do século XIX, o Rio de Janeiro tinha apenas duas livrarias e, provavelmente, sem muitos clientes: um censo realizado no final daquele século, na mesma cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, mostrava uma porcentagem de analfabetismo girando em torno de 80%.

Não é difícil explicar essa situação de analfabetismo e de falta de leitores. No Brasil colonial, o ensino era precário e reservado a uns poucos filhos de privilegiados. Universidades não existiam: os jovens que podiam, iam estudar na Universidade de Coimbra, em Portugal. As coisas começaram a mudar quando, em 1808, a corte portuguesa, fugindo à invasão napoleônica, se transferiu para o Brasil. Foi criada a Biblioteca Real e a primeira gráfica editora, a Imprensa Régia, que tinha o monopólio da edição de livros e só publicava o que era autorizado pela Coroa. Quando esta disposição foi revogada (em 1821, às vésperas da independência e, provavelmente, anunciando-a), multiplicaram-se os jornais, folhetos e revistas.

Já as livrarias foram o resultado da enorme influência cultural que a França sempre teve sobre o Brasil. Muito importantes foram os irmãos Laemmert, Edouard e Heinrich, e Baptiste Louis Garnier. Sediados no Rio de Janeiro (a Garnier tinha filial em São Paulo), esses livreiros importavam obras da Europa e editavam autores brasileiros: Garnier lançou José Veríssimo, Olavo Bilac, Artur Azevedo, Bernardo Guimarães, Silvio Romero, João do Rio, Joaquim Nabuco; Laemmert tinha em seu catálogo, Graça Aranha e Machado de Assis. Suas livrarias tornaram-se célebres pontos de encontro de escritores. Àquela altura, começo do século XX, começava a surgir um público leitor, às vezes surpreendendo os editores: quando a Laemmert se recusou a publicar uma obra que parecia "cientificista" e extensa, o próprio autor resolveu financiá-la. E fez muito bem, Euclides da Cunha: Os sertões, magistral retrato da guerra de Canudos e do Brasil sertanejo, vendeu, em pouco mais de um ano, 6 mil exemplares. Autêntico best-seller.

O fato de que os escritores não conseguiam viver de literatura (muitos eram funcionários públicos ou profissionais liberais), não impedia a existência de uma vida literária. Em 1897, e por influência de Machado de Assis, era criada a Academia Brasileira de Letras. Com o movimento modernista de 1922 surgiram revistas literárias, como a Klaxon, para a qual escreveram Anita Malfatti, Sérgio Milliet, Mário de Andrade e Tarsila do Amaral.

Nas primeiras décadas do século XX apareceram editoras importantes: a José Olympio, que editou sucessos como Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e Vidas secas, de Graciliano Ramos, além de Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre e Guimarães Rosa, sem falar em clássicos da literatura mundial, como Balzac, Dostoievsky, Jack London e Tolstoi. A produção crescia; o número de editoras aumentou quase 50% entre os anos de 1936 e 1944. Em meados do século XX o país editava, por ano, cerca 4 mil títulos, representando 20 milhões de exemplares. Durante o Estado Novo, regime de exceção que ampliou os poderes de Getúlio Vargas (presidente de 1930 a 1945), a atividade cultural passou a ser controlada pelo DIP, Departamento de Imprensa; a censura estava presente no rádio, na imprensa, na música, no ensino. E foi também Vargas que, em 1937, criou o Instituto Nacional do Livro, com o objetivo de desenvolver uma política governamental na área.

A qualidade editorial melhorou muito; não era raro que as edições fossem ilustradas por artistas famosos, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Santa Rosa. Novas revistas surgiam, a Brasiliense, para a qual colaboravam intelectuais de esquerda (Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda, Sérgio Milliet, Josué de Castro e Florestan Fernandes), a Civilização Brasileira, dirigida por Enio Silveira, a Tempo Brasileiro, dirigida há 50 anos por Eduardo Portella e contando com a colaboração de Sérgio Paulo Rouanet, Marcílio Marques Moreira e José Guilherme Merquior.

E OS LEITORES?
Ainda não são muitos. O Brasil tem cerca de 190 milhões de habitantes, dos quais 95 milhões podem ser considerados leitores; mas eles leem, em média, 1,3 livro por ano. Nos Estados Unidos, esta cifra é de 11 livros por ano; na França, 7 livros por ano; e na Argentina, 3,2. Não se trata de uma rejeição à leitura; uma enquete mostrou que 75% gostam de ler. Pergunta: por que, então, os brasileiros não leem mais? O argumento mais comum é o do preço do livro, de fato ainda muito caro. Mas isso é o resultado de um círculo vicioso: o livro custa caro porque vende pouco, e vende pouco porque é caro. Dizia-se que o brasileiro não gostava de livro de bolso, que preferia edições de luxo, com capa dura, para, das prateleiras, darem a impressão que o dono da casa era pessoa culta. Agora, porém, vê-se que o livro de bolso tem um público cada vez maior.

Aumentar a venda é uma forma de baixar o preço, mas isso só acontece quando as pessoas têm o hábito da leitura. Este, por sua vez, resulta de um processo que se desenvolve por etapas. A primeira dessas etapas ocorre na infância e depende do ambiente afetivo e cultural em que vive a criança. O conceito de "famílias leitoras", da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), não é uma realidade no Brasil: 63% dos não leitores dizem que nunca viram os pais lendo - faltou-lhes, portanto, um modelo. A TV tem sido o centro da vida familiar; aquela cena do passado, a mãe ou o pai lendo para os filhos, é uma raridade.

A etapa seguinte é a da escola. As enquetes mostram que, quanto maior o nível de escolaridade das pessoas, maior é o tempo que dedicam à leitura. Entre os entrevistados com ensino superior, apenas 2% não leem. O problema é que, no Brasil, poucos chegam à universidade: 43% dos jovens de 15 a 19 anos nem sequer concluem o ensino fundamental. Faltam bibliotecas em 113 mil escolas, ou seja, em 68,81% da rede pública de ensino.

Mas, de novo, as coisas estão mudando. Os últimos governos têm se esforçado para preencher esta lacuna; em 2008, as escolas receberam, em média, 39,6 livros cada uma, por meio do Programa Nacional de Bibliotecas Escolares. A par disto, um grande esforço está sendo desenvolvido para estimular o hábito da leitura entre os escolares. No passado, o ensino da literatura era baseado quase que exclusivamente nos clássicos. Autores importantes, decerto, mas que falam de outras épocas, de outros locais, e numa linguagem nem sempre acessível.  Hoje, as escolas trabalham também com escritores contemporâneos, e a interação com o texto é a regra. Os alunos fazem dramatizações, escrevem suas próprias versões dos textos, editam jornais na escola. Os eventos literários são frequentes nas cidades brasileiras: as feiras de livros, as bienais de literatura (em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba) e os festivais literários, dos quais o de Paraty, que traz ao país nomes de destaque na literatura mundial, é um exemplo.

A indústria editorial está em franca expansão, acompanhando o crescimento da economia como um todo. O ano de 2010 mostra-se muito promissor para o mercado editorial e para o crescimento do hábito de leitura no Brasil, diz a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Rosely Boschini. Os números dão apoio a seu otimismo: de 2006 a 2008 foram lançados, aproximadamente, 57 mil novos títulos e impressos mais de um bilhão de exemplares. A indústria editorial atrai investidores estrangeiros, e está deixando de lado o elitismo do passado para buscar o público leitor, sobretudo o leitor jovem. Redes de livrarias estão em expansão, e também a oferta do livro de porta em porta: em 2009, quase 30 milhões de livros foram assim vendidos, sobretudo para setores mais pobres. O Brasil tem hoje 2.980 livrarias, uma para cada 64 mil habitantes. Abaixo do preconizado pela Unesco - uma livraria para cada 10 mil habitantes -, mas com aumento de 10% nos três últimos anos. E, convenhamos, o número está bem acima das duas livrarias cariocas do começo do século XIX.

"Oh! Bendito o que semeia/ livros, livros à mão cheia", escreveu, no século XIX, o poeta Castro Alves. Abolicionista, Castro Alves lutou pela libertação dos escravos, um objetivo afinal alcançado.  Mas, e com isso o poeta, sem dúvida, concordaria, libertar o povo da escravidão da ignorância não é uma causa menos importante.

Moacyr Scliar  médico e escritor, já publicou dezenas de livros e integra a Academia Brasileira de Letras. Seu último romance, Manual da paixão solitária, venceu o Prêmio Jabuti em 2009.

Ilustração: Daneil Kondo

Postado por Marcos Linhares em 26/01/12 às 17:03.
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26/01/12 - Quinta-feira
Economia
Matéria que cita meu amigo Paulo Roberto Moura, parabéns Paulo!

Correio Braziliense - 11/12/2011
Na contramão da crise global
Cristiane Bonfanti
 

Em franca expansão, o setor de tecnologia da informação deve crescer três vezes mais que a economia brasileira em 2012

Na contramão da desaceleração da economia, o setor de tecnologia da informação está em franco crescimento. Ao largo dos problemas que afetam o Brasil, ele deve registrar expansão de 12% em 2012, num ritmo três vezes maior que o Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas geradas no país). O cenário, muito além de minimizar o impacto da crise internacional, abre uma imensa oportunidade para quem quer trabalhar. Estima-se que, hoje, o déficit na área seja de 92 mil profissionais. Em 2013, ele chegará a 140 mil, revelam dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

Sergio Sgobbi, diretor de Educação e Recursos Humanos da Brasscom, diz que é justamente a falta de pessoal qualificado que está puxando os salários para cima. "As empresas precisam oferecer benefícios e pagar mais para tentar "roubar" o profissional de outras companhias. Especificamente no DF, a concentração dos serviços públicos e bancários eleva a média salarial", afirma. Ele observa que as estimativas de vagas feitas para até 2013 não consideram a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Com os preparativos para as grandes competições, os números só devem aumentar.

O melhor é que a área não exige, necessariamente, formação superior. Certamente, ter o diploma em mãos ajuda. No entanto, mais importante do que ele é conhecer muito bem as tecnologias. "A pessoa precisa saber utilizar os aplicativos. Um garoto pode aprender sozinho, ser certificado em alguma ferramenta que o mercado demanda e contratado em uma grande empresa. Mas também pode ser o técnico, o analista, o engenheiro. Enfim, há oportunidades para vários níveis", diz.

Na avaliação de Sgobbi, o setor deve manter uma tendência de crescimento robusto a longo prazo. "Para o jovem que pretende ingressar na área, há uma possibilidade de carreira internacional. As empresas são globalizadas e pagam bom salários", afirma. Ele observa, no entanto, que se destacar nesse mercado exige sacrifício. "A tecnologia não para de mudar. Por isso, a profissão demanda estudo e dedicação. Sem dúvida, aprender outros idiomas também é um critério, pois a linguagem de programação é em inglês."

Presidente da CDS Condomínio de Soluções Corporativas, Paulo Roberto Moura busca novos talentos. Desde que abriu a empresa, em 2002, o empresário de 37 anos viu sua equipe, antes restrita a um escritório em Brasília, aumentar de seis para 250 funcionários, agora também em São Paulo. Há dois anos, ele criou um programa de estágio, com a abertura de 10 vagas por ano em áreas como análise de sistemas, ciência da computação, administração, economia e comunicação. Os aprovados passam por dois anos de treinamento e, na maioria dos casos, são efetivados.

Moura diz que tem investido na capacitação dos empregados. Todo o esforço, no entanto, não é suficiente para suprir a carência de profissionais. "Estou com 75 vagas abertas e não consigo preencher", revela. Do total de oportunidades, 45 são em Brasília e 30 em São Paulo, com salários que variam de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Os cargos ociosos são, principalmente, de arquiteto da informação e especialista nas áreas de banco de dados e inteligência empresarial - a atividade de explorar e analisar informações para usá-las estrategicamente.

A globalização só vai aumentar os desafios do presidente da CDS. Ao longo deste ano, o seu contrato com a General Motors rompeu fronteiras e ele passou a exportar conhecimento e tecnologia para as unidades da empresa na Colômbia, no Chile e no Equador, as suas primeiras parcerias internacionais. No ano que vem, vai abrir escritórios em Curitiba e em Porto Alegre. Para fazer os negócios prosperarem, terá de atrair e reter as melhores cabeças do mercado.

Bons salários
Para quem quer ingressar na carreira, os salários são um atrativo, principalmente no Distrito Federal. Enquanto a média nacional é de R$ 2.228, na capital, ela sobe para R$ 2.774, diferença de 24,6%. A depender da complexidade do cargo, a remuneração é maior. Pelos dados do estudo, um analista de desenvolvimento de sistemas, por exemplo, ganha R$ 3.980.

Postado por Marcos Linhares em 26/01/12 às 11:29.
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25/01/12 - Quarta-feira
Opinião
Paris 2012 - Danuza Leão

 

FOLHA DE SP - 22/01/12


As lojas eram as mais lindas do mundo, eu tinha vontade de comprar tudo, de comer tudo, de ver e olhar tudo
 

Paris, com mais um A, com menos um A, não importa -não para mim. Mas a cidade está diferente; é claro que tudo muda, mas Paris mudar é um desconsolo. 

Todas as vezes que vim a Paris -e não foram poucas- foi um encantamento. As lojas eram as mais lindas do mundo, eu tinha vontade de comprar tudo, de comer tudo, de ver e olhar tudo. Paris mudou? Mudou, sim. Não a cidade, é claro, mas o clima. 

Foi difícil me dar conta do que estava acontecendo. Quis conservar meus sonhos, não perder minhas ilusões, mas tive que escolher entre viver em um mundo idealizado ou botar o pé na real. 

Nem foi exatamente uma escolha; afinal, as coisas estavam ali na minha frente, e eu só não as veria se não quisesse -e eu vi. 

Eu poderia perfeitamente ter feito algumas compras, o que faz parte de qualquer viagem (minha); mas não fiz, porque não tive vontade de ter nada do que as lojas ofereciam. Nada, e o pouquíssimo que comprei, era tudo made in China (aliás, algumas poucas lojas estão colocando na vitrine um cartaz informando que toda sua mercadoria é de fabricação francesa). 

E voltando à gastronomia, não tive uma decepção, tive várias. Meu hotel é em St. Germain, e sempre foi uma dificuldade escolher onde ir jantar, tantas (e tão boas) eram as opções. Pois até agora, só as ostras não me decepcionaram. Os restaurantes estão servindo comida congelada, põem em cima um pouco de molho e umas folhinhas verdes para dar um ar de ter sido feita naquele dia, et voilà. 

Ainda existem, é claro, bons bistrots -mas é preciso procurar bem-, e eu reencontrei o meu, que se chama Vins et Terroirs, na rue St. André des Arts. Se você for lá, entre e diga que é meu amigo (mesmo não sendo) e será tratado como um rei. É barato, a cozinha, típica de bistrô, você vai ser superbem acolhido e comer bem. 

Ontem à noite, depois do jantar, sentei num café, num lugar bem turístico, para tomar um chá. Era uma rua de pedestres muito animada, pois em volta existem outros cafés e alguns restaurantes. Como a temperatura neste inverno está entre 10º e 16º C, fiquei numa mesa do lado de fora. 

Enquanto estava lá, vi um mendigo tentando roubar outro mendigo que dormia em cima de um colchão na porta de um prédio (o que dormia foi salvo por seu cachorro, que começou a latir alto e o outro teve que sair correndo). Mendigo roubando mendigo? Em Paris? Detalhe: o mendigo em questão usava um celular -todos usam. 

Meu hotel era ao lado, numa ruazinha calma, e fiquei com medo de voltar para casa. 

Mas não era em Paris que as mulheres podiam usar joias, sair à noite sem problema de violência? Era. E passear na avenida mais bonita do mundo, a Champs Elysées, está tão perigoso quanto na avenida Atlântica, no Rio. 

As duas ruas conhecidas como as mais chiques da cidade, talvez do mundo -a av. Montaigne e o Faubourg St. Honoré-, estão uma desolação, e a moda francesa, sei lá. 

É a crise? Não sei, mas as duas únicas lojas razoavelmente interessantes são a do costureiro belga Dries Van Noten e a do americano Ralph Lauren; dá para acreditar? 

Tenho o hábito -e a sorte- de poder viajar todo fim de cada ano, e meu destino sempre foi Paris; apesar de tudo, com um A a mais ou a menos, e apesar da globalização, Paris será sempre Paris, e sempre haverá cafés como os de antes, bons bistrôs -mas cuidado com os lugares muito turísticos; em viagem sempre acontecem erros, a gente procura, erra mas também acerta, e deve se lembrar sempre de Humphrey Bogart se despedindo de Ingrid Bergman, no final de "Casablanca", quando ele disse a ela "we will always have Paris". 

Nós também sempre teremos Paris. Será?

Postado por Marcos Linhares em 25/01/12 às 12:47.
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25/01/12 - Quarta-feira
Esportes e políticas públicas
Estádios esquecidos e abandonados

 

Estádios que sediaram partidas da Copa de 1950 caem no ostracismo e se veem ofuscados pelas novas arenas de 2014

Publicado: janeiro 23, 2012 em Uncategorized
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Fonte: Folha de São Paulo

Memória

Jefferson Bernardes/Folhapress
Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre, completamente abandonado
Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre, completamente abandonado

 

RENATO MACHADO
DE BRASÍLIA

O mesmo país que vê a construção das arenas da Copa-14 esquece, gradativamente, dos estádios do primeiro Mundial no Brasil.

Um a um, os palcos de 1950 estão caindo no ostracismo, quando não desaparecendo.

Só o Maracanã voltará a receber a Copa. Mesmo sem ver futebol há dois anos, devido à reforma, será o palco da final de 2014. Essa situação, no entanto, não se repete nas outras cinco sedes de 1950.

Após décadas de abandono, o Eucaliptos, em Porto Alegre, foi vendido e vai virar um condomínio residencial. O estádio foi a casa do Internacional entre 1931 e 1969, mas caiu em desuso com a inauguração do Beira-Rio.

"Houve uma tentativa de resgatar o Eucaliptos, com um amistoso em 1999, mas o momento do Inter era difícil, quase sendo rebaixado", disse Delene Gastal, coordenadora do setor de pesquisas do museu do clube gaúcho.

Na Copa, não houve grande euforia com as duas partidas realizadas: o México jogou contra Iugoslávia e Suíça. "Os jornais diziam: 'O público que ninguém viu'".

Em Curitiba, os jogos foram no Durival Britto, hoje do Paraná Clube, da Série B. O estádio foi o principal do Estado por quase 20 anos.

Como tinha capacidade para menos de 15 mil torcedores, chegou a ser usado apenas como centro de treinamento do Paraná, que não pode mandar seus jogos ali após o Estatuto do Torcedor.

Os jogos voltaram após obras em 2006, mas não houve como competir com a Arena do Atlético-PR pela Copa.

O Independência, em Belo Horizonte, foi construído para a Copa-1950, mas acabou renegado com a inauguração do Mineirão, 15 anos depois.

O estádio era do 7 de Setembro, que, em dificuldades, decidiu repassá-lo. Cruzeiro e Atlético-MG não quiseram. Ficou com o América.

Após obras de modernização, o Independência vai receber jogos do América e dos dois grandes mineiros até o fim da reforma do Mineirão.

A Ilha do Retiro também perdeu a Copa, apesar de ser referência em Pernambuco. Suas condições estruturais inviabilizaram a candidatura. Nova arena será erguida.

O próximo candidato a cair no esquecimento, ainda que relativo, é o Pacaembu. Corinthians e Palmeiras, com novas arenas, não devem mais jogar no estádio de 1940.

"Gastamos mais de R$ 400 mil por mês para conservar o estádio, e tudo vem do futebol. Precisamos pensar em nova forma de receita", disse Bebetto Haddad, secretário municipal de Esportes.

Postado por Marcos Linhares em 25/01/12 às 12:41.
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25/01/12 - Quarta-feira
Política
Deu na Folha de São Paulo - Apolônio de Carvalho

 

DOMINGO, 22 DE JANEIRO DE 2012

Testemunho - Renée de Carvalho, 86 anos


Uma vida de resistência

Viúva do ativista político Apolônio de Carvalho relembra a trajetória de lutas contra a opressão

CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

RESUMO

"Aqui morou Apolônio de Carvalho, combatente da liberdade." A placa no portão do prédio no Leblon, homenagem de vizinhos, leva ao apartamento de Renée de Carvalho, militante da Resistência francesa ao nazismo. Renée, 86, dividiu 62 anos de vida com Apolônio (1912-2005) -militar que aderiu à Aliança Libertadora Nacional nos anos 1930, combateu na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), lutou na Resistência, foi guerrilheiro no Brasil e fundador do PT. Em fevereiro, quando ele completaria 100 anos (dia 9), Renée e os filhos René e Raul doarão documentos e fotos ao Arquivo Nacional, no Rio. Ela lançará um livro com sua história, resumida aqui.


Nasci em 1925 em Marselha. Meu avô materno era carpinteiro da Marinha mercante. O paterno vendia tabaco e selos. Era um "radical" na política, um pouquinho de esquerda, anticlerical.

Meu pai, Louis Laugery, lutou quatro anos na Primeira Guerra e depois foi mandado combater os soviéticos. Quando voltou, se casou com minha mãe, Juliette. A guerra parecia uma coisa longe para nós, até que veio a crise de 1929 e a vida ficou difícil.

Havia desemprego e, em toda Europa, a ascensão do fascismo. Em Marselha, a política era dominada pela máfia, e os comunistas apareceram com propostas novas.

Meu pai entrou no PC e toda a família foi junto. A gente discutia política à mesa, tipo família italiana. Em 1936, veio o governo da Frente Popular [coalizão comunista-socialista-radical] e o entusiasmo contagiava as crianças.

No fundo de casa havia uma fábrica onde moças trabalhavam costurando sacos. Elas entraram em greve e não dormiam, dançavam a noite toda. A vizinhança toda xingava, e nós ficávamos na janela felizes da vida. Eu e meu irmão, Daniel, íamos coletar dinheiro para os grevistas.

A Frente Popular perdeu fôlego porque seguia a Inglaterra nas concessões aos alemães. Veio o pacto germano-soviético e muita gente deixou o PC porque não entendia como Hitler e os comunistas podiam estar juntos.

A França perdeu a guerra de maneira vergonhosa. Pessoas da zona de ocupação alemã, no norte, vinham para o sul a pé, de charrete. O sul ficou com o [marechal Philippe] Pétain, que colaborava com os alemães.

A maioria dos resistentes presos foi capturada pela polícia francesa, não pela Gestapo. Minha irmã, Paulette, foi presa em 1942 e acabou deportada para a Alemanha. Só voltou no fim da guerra.

Eu e meu irmão éramos agentes de ligação da Resistência. Abrigávamos pessoas, transportávamos material militar, panfletos. Como judeus não podiam pegar tíquetes de racionamento, negociávamos tíquetes para eles.

Conheci o Apolônio e fomos morar juntos em 1943. Eu tinha só 18 anos.

BRASIL, CINEMA E GOLPE

Vir ao Brasil depois da guerra não foi uma coisa alegre. Não falava português, já tinha um filho pequeno e esperava outro. Logo o PC foi posto na clandestinidade. Não passávamos mais de seis meses em uma casa.

Fomos três ou quatro vezes ver filmes franceses. O companheiro que vivia conosco, João Amazonas [depois fundador do PC do B] dizia: "Tomo conta dos meninos". Mas nos sentíamos tão culpados...

Em 1954, Apolônio foi mandado estudar na URSS. Depois me juntei a ele e os meninos ficaram com minha família na França. Só voltamos no governo Juscelino.

O Apolônio desapareceu na clandestinidade no mesmo dia do golpe de 1964. Já estava insatisfeito com a política do PC, tinha perdido o entusiasmo juvenil. Sempre foi muito independente. Os franceses são propensos a pensar com a própria cabeça e acho que o ajudei.

Em 1967, ele tomou o rumo do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário). Eu precisava me sustentar e trabalhava na Embaixada da Hungria. Me preparava para me juntar à clandestinidade quando ele e meus filhos foram presos, em 1970.

Apolônio foi trocado pelo embaixador alemão [sequestrado pela guerrilha] e foi para a Argélia. René foi trocado pelo cônsul da Suíça. Raul passou três anos na cadeia, e fiquei aqui até ele sair.

Apolônio queria ir para a França, mas o país não quis recebê-lo. Só depois conseguiu. Me juntei a ele e, antes da Anistia, já começamos a conhecer o PT. Fiquei entusiasmada porque o PC sempre quis ser um partido de massa, mas não conseguiu, e o PT já nasceu de massa.

Depois não foi bem assim, o partido se institucionalizou, o Apolônio não gostou muito de certas coisas, mas continuou ligado ao PT.

Quando voltamos, ele recebia uma pensão de segundo tenente [posição de quando foi expulso do Exército, em 1936]. Só depois foi reconhecido como coronel.

Fui muito feliz com o Apolônio. Nos queríamos muito. Se tivesse que fazer, começaria tudo de novo.

Veja fotos e documentos doados ao Arquivo Nacional
folha.com/no1037480

Leia a íntegra do depoimento
folha.com/no1037599

Fonte: Folha de São Paulo (22/01/2012)

Postado por Marcos Linhares em 25/01/12 às 12:24.
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25/01/12 - Quarta-feira
Religião
Deu na Folha de São Paulo -22-01-2012- os padres brasileiros

 

Pesquisa revela mudança no perfil de padre brasileiro

Religiosos oriundos de ordens e congregações cedem espaço para sacerdotes com estilo mais 'profissional'. Dados também indicam que igreja tem revertido tendência de encolhimento do número de padres

DANIEL RONCAGLIA

DE SÃO PAULO


(Foto da reportagem. Fonte: Jornal, "Folha de São Paulo". Domingo, 22 de janeiro-2012).

A Igreja Católica no Brasil mudou nos últimos 40 anos.

Deixou de ser formada em sua maioria pelo tradicional religioso das ordens e congregações, que é obrigado a fazer o voto de pobreza, para dar lugar ao chamado padre de paróquia, que tem pensão, benefícios, costumes e estilo de vida menos restritivos.

Censo do Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais da Igreja Católica revela que o número dos chamados "padres paroquiais" teve um aumento de 180% desde 1970, enquanto o de "padres religiosos" não se alterou.

Com isso, a proporção se inverteu. Os "religiosos", que representavam 61,50% da base da igreja, formam agora 36% do clero. Os paroquiais, 64% de um total de 22 mil. Os números mostram também que a igreja tem revertido a tendência de encolhimento, ampliando a proporção de padre por habitante.

VOTOS

A principal diferença entre os dois tipos de padre está no voto de pobreza dos membros das congregações. "O religioso tem que provar para o seu superior que tem a necessidade de possuir um bem. Não pode adquirir por si mesmo", explica Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC-SP e padre paroquial.

Segundo ele, as restrições podem afastar os candidatos, pois muitos já chegam com ensino superior concluído. "Estamos em mundo muito mais liberal. É preciso ter estrutura para viver desse modo", afirma. Ele lembra, entretanto, que as ordens em regra possuem considerável patrimônio.

A instituição que Valeriano dirige é responsável por uma das etapas de formação dos sacerdotes. De acordo com ele, a média de idade das turmas é de 28 anos, mas existem alunos com mais de 40 anos. envelhecimento dos candidatos ao sacerdócio é um dos fatores que, entre outros, são apontados para explicar a mudança no perfil.

Valeriano cita, por exemplo, que não existem mais os seminários exclusivos para adolescentes. Nome mais conhecido da igreja no Brasil, o "paroquial" Marcelo Rossi virou padre aos 27 anos.

Padre da Ordem do Carmo em São Paulo, frei Petrônio Miranda, 44, reconhece que a vida no convento tem mais exigências. "Temos uma formação mais longa." O convento onde vive já abrigou 60 frades, mas hoje conta com três padres e quatro alunos.

O professor da USP Flávio Pierucci, especialista em religião, diz que o crescimento dos padres de paróquia pode fortalecer a cúpula da Igreja Católica, pois os "religiosos" não estão vinculados ao poder dos bispos.

Postado por Marcos Linhares em 25/01/12 às 12:17.
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